Vídeo-documentário: O que perdemos?

Um excelente documentário que expõe com diversos vídeos e imagens reais a realidade da destruição dos ritos e cerimônias católicas, bem como eram e passaram a ser atualmente.

O terceiro segredo de Fátima foi revelado?

"Estou obcecado pelas confidências da Virgem à Lúcia de Fátima. Essa obstinação de Nossa Senhora diante do perigo que ameaça a Igreja, é um aviso divino contra o suicídio que representaria a alteração da fé, em sua liturgia, sua teologia e sua alma"

O Concílio Vaticano II em perguntas e respostas

Expostas de modo bastante maduro e direto, este artigo busca responder às principais perguntas que existem acerca do Concílio Vaticano II

O Sacerdote no altar deve unir-se a Maria Santíssima no Calvário

Uma meditação acerca da atuação do sacerdote no altar, especialmente durante a consagração e o sacrifício de Cristo na Cruz em união com Maria Dolorosa como a Corredentora do gênero humano.

Meditações sobre a gravidade do Pecado e do Inferno

O Inferno é uma realidade, um dogma da Igreja. Não podemos nos escusar de nossas dívidas para com Deus apenas evitando acreditar na existência do Inferno. "Não é católico quem não acredita no Inferno"

Conheça e divulgue a devoção da Medalha Milagrosa de Nossa Senhora!

A Virgem Santíssima prometeu várias graças a quem utilizar com devoção Sua Medalha Milagrosa. Divulgue-a!.

Publicações dos Leitores do Blog

Esta página foi criada com o fim de expor/divulgar as publicações que recebemos dos nossos leitores, enviadas via página do Facebook do Blog ou por e-mail após analisadas. As publicações postadas aqui devem conter as seguintes restrições.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Brasileiro foi fuzilado na Indonésia sem direito à extrema-unção, diz padre

  • Brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira (à dir.), dias antes da execução
    Brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira (à dir.), dias antes da execução
O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, executado em janeiro na Indonésia por tráfico de drogas, não teve direito à extrema-unção, segundo o padre que encontraria o condenado antes de seu fuzilamento. Archer, que tinha 53 anos, deixou a cela em prantos e assim permaneceu até a morte, de acordo com o padre indonésio Charles Burrows, que daria o último conforto ao brasileiro antes da execução.
Em entrevista à rede australiana "Fairfex Media", reproduzida pelo jornal "The Sydney Morning Herald", Burrows revelou que um desentendimento o impediu de encontrar com o preso, que era católico. Dessa forma, os rituais que, segundo a Igreja, perdoariam os pecados antes da morte do condenado não puderam ser realizados.
"Disse a eles [autoridades] que eu queria estar lá. Os guardas foram educados, mas o procurador não me dava a carta de acesso à ilha. A embaixada brasileira ficou muito aborrecida. Eles me disseram que ninguém se preocupou com ele [Archer]. Geralmente, em algum momento o pastor ou o padre vão consolá-los [os condenados à morte]. Ninguém consolou Marco."
O padre ainda detalhou os momentos finais de brasileiro, de desespero. "Ele teve que ser carregado da cela chorando e gritando 'me ajude'. Ele defecou nas calças", disse Burrows, que contou que os guardas limparam o brasileiro com uma mangueira. Mesmo assim, Archer continuou a chorar "durante todo o tempo até os últimos minutos", segundo o clérigo.
Marco Archer foi condenado à morte após ter sido julgado e condenado por ter ingressado na Indonésia com 13 kg de cocaína, há 11 anos.
A entrevista do padre acontece pouco tempo depois de o Brasil recusar a carta credencial do novo embaixador da Indonésia no país, Toto Ryianto, na última sexta-feira (20). Ele compareceu à cerimônia, que contou com a presença de outros novos embaixadores, mas foi o único que teve a carta recusada, o que o impede de representar oficialmente a Indonésia no Brasil.
"Achamos que é importante que haja uma evolução da situação para esclarecer em que condições estão nossas relações com a Indonésia", disse a presidente Dilma Rousseff a jornalistas após a cerimônia. Segundo ela, o que foi feito "foi adiar o recebimento das credenciais, nada além disso".
O governo brasileiro pediu clemência à Indonésia para Marco Archer, que foi negada, e também para Rodrigo Gularte, o outro cidadão do país condenado à morte por tráfico de drogas. Gularte, de 42 anos, também foi detido desde 2004, após entrar na Indonésia com 6 kg de cocaína escondidos em pranchas de surfe, e foi condenado à morte no ano seguinte.
Ele foi diagnosticado com esquizofrenia, quadro que foi confirmado em laudo assinado por um psiquiatria da rede pública da Indonésia. Segundo o jornal "Jakarta Post", a Procuradoria-Geral do país vai pedir uma segunda opinião médica para decidir o destino do brasileiro. A legislação local prevê que o condenado deve estar plenamente ciente da execução.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2015/02/22/brasileiro-foi-fuzilado-na-indonesia-sem-direito-a-extrema-uncao-diz-padre.htm

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Maria é Medianeira entre Deus e os homens



É a graça de Deus um tesouro muito grande e muito desejável para todas as almas. O Espírito Santo lhe chama um tesouro infinito, pois por meio dela somos elevados à honra de amigos de Deus. “É ela um tesouro infinito para os homens: do qual os que usaram têm sido feitos participantes da amizade de Deus” (Sb , 14). O Divino Salvador diz, por isso, aos que se acham no estado de graça: Vós sois meus amigos (Jo 15, 14). Ó maldito pecado, que rompes essa bela amizade! “Vossas iniquidades separam-vos de Deus” (Is 59, 2). Igualmente aborrece o Senhor o ímpio e a sua impiedade (Sb 14, 9). O pecado, tornando a alma objeto de ódio para Deus, de amiga converte-a em inimiga de seu Senhor. Mas que deve fazer um pecador que tem a desventura de viver presentemente na inimizade de Deus? Precisa encontrar um medianeiro eu lhe obtenha o perdão e o faça recuperar a perdida amizade com Deus. Consola-te, ó infeliz, diz S. Bernardo, que perdeste a Deus. Como medianeiro deu-te o próprio Senhor seu Filho, Jesus Cristo, que pode atender a teus desejos.Que coisa haverá que um tal filho não consiga junto a seu Pai?

Mas, ó meu Deus, por que aos homens parece tão severo esse misericordioso Salvador, que, enfim, por salvá-los deu a sua vida? Assim pergunta o Santo. Por que julgam terrível quem é tão amável? Que temeis, pecadores sem confiança? Ofendestes a Deus, é verdade, mas sabeis que Jesus pregou à cruz vossos pecados, com suas próprias mãos que os cravos transpassaram. Assim purificou nossas almas e satisfez com sua morte a divina justiça. Entretanto, recusais recorrer a Jesus Cristo, intimidados por sua majestade; pois ele, ainda feito homem, não deixa de ser Deus. Quereis outra advogada junto a esse medianeiro? Recorrei então a Maria! Por vós ela rogará ao Filho e ele com certeza a ouvirá. E o Filho intercederá ao Pai, que nada pode negar ao Filho. Termina o Santo dizendo: Filhos meus, essa divina Mãe é para os pecadores uma escada pela qual podem de novo subir aos cimos da divina graça. Maria é minha maior confiança; ela é a razão da minha esperança.

Eis o que o Espírito Santo faz dizer nos Cânticos à bem-aventurada Virgem: Eu sou um muro e meu peito é uma torre, pois me tornei como uma que acha a paz (8, 10). Sou a defesa dos que a mim recorrem, diz Maria; e a minha misericórdia lhes é um benefício, como uma torre de refúgio. E por isso o meu Salvador me fez medianeira da paz entre os pecadores e Deus. Realmente é Maria a pacificadora que obtém de Deus a paz para os pecadores, a misericórdia para os desesperados – assim comenta o Cardeal Hugo. Seu divino Esposo a chama por isso “bela como as tendas de Salomão” (Ct 1, 4). Só de guerra se tratava nas tendas de Davi; só de paz se tratava, ao contrário, nas tendas de Salomão. Com essa comparação quer o Espírito Santo mostrar que essa Mãe de misericórdia cogita, não de guerras e de vinganças contra os pecadores, mas tão somente de paz e de perdão às suas culpas.

Tal é o motivo que faz da pomba de Noé uma figura de Maria. De volta à arca trouxe no bico um ramo de oliveira, como sinal da paz concedida aos homens por Deus. Sois aquela fidelíssima pomba de Noé, exclama Conrado de Saxônia, que, interpondo vosso valimento para com Deus, dele alcançastes a paz e a salvação para o mundo perdido. Maria, pois, foi a celestial pomba que trouxe ao mundo perdido o ramo de oliveira, sinal de misericórdia; porque ela nos deu Jesus Cristo, que é fonte da mesma misericórdia. A ela devemos, em virtude dos merecimentos de Cristo Senhor, todas as graças que Deus nos concede. E assim como por Maria foi dada ao mundo a verdadeira paz do céu, como diz S. Epifânio, assim, por meio de sua mediação, os pecadores continuam a reconciliar-se com Deus. Por isto S. Alberto Magno faz a Virgem dizer: Eu sou a pomba da arca de Noé, que trouxe à Igreja a paz universal.

Clara figura de Maria era também o arco-íris, do qual S. João (Ap 4 ,3) viu cercado o trono de Deus. O Cardeal Vitale assim fala sobre esse arco-íris: É Maria que assiste sempre perante o tribunal para mitigar as sentenças e os castigos merecidos pelos pecadores. Conforme a explicação de S. Bernardino de Sena, era a Virgem também o arco-íris que Deus colocou nas nuvens e dele disse a Noé: Eu porei meu arco nas nuvens e ele será sinal da aliança entre mim e a terra (Gn 9, 13). Maria, diz o Santo é este íris da eterna paz. Pois assim como Deus à vista dele se lembra da paz prometida à terra, assim também pelos rogos de Maria perdoa aos pecadores as ofensas que lhe fazem, e com eles faz as pazes.

Pela mesma razão ainda é Maria comparada à lua. “És bela como a lua” (Ct 6, 9). Aqui observa S. Boaventura: Tal como a lua paira entre a terra e o céu, coloca-se Maria continuamente entre Deus e os pecadores para lhe aplacar a ira contra eles e iluminá-los para que se voltem a Deus.

(Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

Fonte:

sábado, 31 de janeiro de 2015

Lutar sempre - Desânimo na vida espiritual

Lutar sempre

Labora sicut bonus miles Christi (II Tim 2,3)
Trabalha como um bom soldado de Cristo

Os combates pelo amor são longos e por vezes difíceis, e toda alma, por pouco generosa que seja, verifica em si mesma, em dados momentos, um movimento de depressão que se chamadesânimo.

Essa depressão nasce insensivelmente da acumulação de contratempos e reveses sucessivos. A alma sente-se abatida, depois, de repente, um acidente qualquer, uma pequena indisposição, uma fadiga corporal, uma palavra de repreensão, uma falta de atenção sobrevêm a nosso respeito e a alma desanima.

Então tudo se torna pesado. A conversação espiritual é insípida, os livros que de ordinário a estimulavam perdem o sabor, os exercícios espirituais tornam-se um ônus intolerável. Nada a encoraja, tudo a aborrece e a desgosta.

 
A vida espiritual parece uma ilusão; atingir-lhe o cimo, uma impossibilidadeE ela senta-se tristemente a meia encosta sem forças para as alturas. Eis, por certo, um sério obstáculo, que impede por vezes o caminho às almas mais resolutas. Importa procurar as causas do desânimo e os meios de frustrar-lhes a influência paralisante.

Antes de tudo, o que deve consolar-te, alma piedosa, é não seres tu a única, sujeita a essas depressões passageiras. As melhores almas sofrem por vezes desse mal... Jesus, em sua infinita sabedoria, permite de bom grado que as almas mais dispostas sintam algumas vezes sua impotência pessoal.
Aliás “não é extraordinário, como diz São Francisco de Sales, que a miséria se sinta por vezes miserável”. 

Não é de estranhar que a natureza se canse e não queira mais avançar. Não é de admirar que o nosso corpo, como o asno de Balaão, recuse às vezes, seus serviços e, insensível aos golpes, se deixe abater antes que nos conduzir.
A razão dessa canseira é quase sempre uma série de exercícios espirituais e trabalhos exteriores por demais longa. É preciso que tudo se faça com medida e não exigir do corpo e do espírito senão o que eles podem razoavelmente dar. É preciso, pois, repousar, confortar-se a tempo, e depois dizer com nova energia: 

Vamos! Ainda um pouco de tempo, o cimo já não está tão longe, Deus ajudará. Para frente!

Os sentidos do homem são inclinados, desde tenra idade, para o sensível e fascinados pelos objetos exteriores. A razão não conhece a existência de Deus, senão por um trabalho de educação. Tudo que ele sabe do mundo sobrenatural sabe-o por ouvir dizer!
E esse ser tão ínfimo, tão ignorante e tão inclinado para o mal, que somos nós, quer aspirar, por um esforço contínuo, a tornar-se amante apaixonado de uma beleza superior. Quer esgotar, para atingir esse ideal, todas as forças de sua alma e de seu corpo, e a cada inspiração, e a cada inspiração, a cada apelo apenas perceptível, de uma graça invisível, quer elevar-se ainda mais alto.
Esse homem fraco, feito de sangue e de pó, propõe-se renunciar a todas as aspirações animais, modificar-se, contradizer-se, corrigir seu raciocínio e seu coração, não uma vez por acaso, mas sempre, e isso sob a influência de um agente misterioso que ele não vê e no qual crê e cujo socorro implora.


Oh! Não, uma vida tão heróica só pode ser levada graças a uma luta incessante.
Como é belo ver esse homem, exposto a todas as seduções, a todos os ataques do mundo e do inferno, a todas as conivências íntimas, voltar-se para Deus, impertubavelmente, apesar de suas fraquezas!

Também a santidade não exclui a luta, ela a supõe e a exige. A perfeição na terra não é o repouso nem o prazer. Não é um estado fixo. É uma ascensão para Deus, uma continuidade de esforços, uma tendência incessante para aproximar-se do ideal sobrenatural: Ad ea quae priora sunt extendens meipsum (Filip 3,13). Toda santidade no mundo é relativa; pode e deve aumentar continuamente. 

Quanto mais a alma se une a Deus, e afunda-se na sua infinidade, tanto mais os espaços se estendem e os horizontes se ampliam. É o infinito a atravessar.

Afasta, pois, de teu espírito essa falsa idéia de que aqui na terra encontrarás repouso. Não estás no mundo para gozar de Deus, mas para amá-Lo no trabalho, no sofrimento e na luta.

E se há luta, haverá quedas algumas vezes... o soldado que combate valorosamente expõe-se a golpes e ferimentos, porém suas cicatrizes são para ele títulos de glóriaMuitos há que não distinguem, na vida espiritual, a parte que lhes pertence e a que pertence a Deus. 

... A deles consiste, antes de tudo, em amar a Deus, esforçar-se por pertencer-lhe, pedir-lhe mais amor, e, em seguida, em levantar-se sempre com simplicidade após suas faltas, e purificar-se no sangue de Jesus.
 
Quanto ao mais, tudo é obra do Mestre. Enquanto a alma luta e geme pelas suas faltas e lamenta-se por não saber amar a Deus, esse Deus invisivelmente, enriquece-a com graças, orna-a de virtudes, cava nela a humildade e a paciência e une-se-lhe por tantas cadeias quantas ela faz de atos de amor e contrição.

E esse trabalho a dois prossegue até ao último instante da vida. A alma não viu senão faltas, e, com efeito, ela recaiu muitas vezes, e Deus não quis contar senão os atos de amor.
...Alma de boa vontade, não te aflijas, pois, por tuas faltas. Pede sempre perdão a Jesus e recomeça, sem te cansar, tua vida de amor.

Bem vês, o indispensável é amar, amar sempre. O amor dar-te-á constância na luta, como te dará a compunção e o espírito de oração. 

- O amor te ensinará a purificar tua vontade pelo desapego, disciplinar tua liberdade pela obediência, desembaraçar tua inteligência dos pensamentos inúteis.
- O amor te excitará à reflexão, retificará teu raciocínio pela humildade, dirigirá tua imaginação e acalmará tuas paixões.
- O amor reprimirá teus sentidos na pureza, desprenderá tua alma de todos os bens terrestres.
- O amor te conduzirá à intimidade de Jesus, revelando-te o mistério de sua paixão, de sua vida eucarística, de sua vida mística, que continua em ti.
- O amor te ensinará, enfim, a desapegar-te de ti mesmo para seres um com Jesus, viver Dele, agir com Ele, sofrer com Ele, e continuar, por Ele, a obra da redenção.

Assim, tudo começa, aperfeiçoa-se e acaba no amor.
Ó minha alma!...renova a Jesus a resolução de ser constante no amor.
Se o cansaço, o desânimo ou a desconfiança buscam invadir-te, olharás para o céu.

Jesus lá está e cuida de ti. Ninguém te arrancará de suas divinas mãosEle é o Amigo fiel, que começou e terminará a obra de tua santificação. Terminá-la-á não obstante as dificuldades exteriores e interiores, contanto que tenhas confiança Nele e que o deixes agir em tua alma.

Ama-O muito. Repete constantemente que o amas. Pede-Lhe sempre mais graças, mais luzes, mais força. Volve a Ele sem jamais te cansar. Tua santidade estará garantida.
(Excertos do livro: O Divino Amigo – Pe. Schrijvers)

Fonte
Retirado do blog: http://osegredodorosario.blogspot.com.br/

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Manuscrito inédito sobre vida de São Francisco de Assis

francisco_cimabue
Novos aspectos da vida de Francisco reemergem do passado; não só fragmentos, desta vez, ou citações indiretas extraídas de obras contemporâneas, mas a segunda mais antiga Vida do Santo de Assis, desconhecida até hoje, contida em um manuscrito aparentemente insignificante e ausente dos catálogos das bibliotecas, por fazer parte de uma coleção privada.

Um pequeno códice (do formato e 12×8 centímetros) no centro de uma questão historiográfica muito vasta e complexa, em curso, sem solução de continuidade, desde a terceira década do século XIII até os nossos dias, cruz e delícia de gerações de medievalistas: a busca de testemunhos biográficos sobre o Pobrezinho de Assis não coincidentes com a vida oficial, a Legenda de Bonaventura, aprovada em 1263.
Um livro que passou despercebido por muito tempo e que chegou ileso até nós, talvez justamente por causa da sua pobreza: trata-se de um pequeno códice “franciscano em sentido literal, humilde e pobre, sem decorações ou miniaturas”, explica-nos, de Paris, o autor da descoberta, o medievalista Jacques Dalarun, a quem pedimos que nos contasse os detalhes de uma pesquisa apaixonante e cheia de surpresas, como uma história de detetive paleográfica.

Eis a entrevista.

Como o senhor encontrou o manuscrito?
Graças ao e-mail de um colega, Sean Field, que leciona na Universidade de Vermont e é – aproveito a oportunidade para especificá-lo – felizmente casado: não é um frei franciscano, como vi escrito na imprensa nestes dias. Sean, sabendo que eu me ocupo há muito tempo com os testemunhos biográficos de Francisco, me assinalou um iminente leilão de um manuscrito que poderia ser interessante. E também graças ao cuidadoso e inteligente trabalho de Laura Light, a estudiosa que preparou a descrição do manuscrito para a casa de leilões norte-americana, que o colocou à venda no ano passado. Eu estava procurando esse texto há sete anos: durante os meus estudos, eu tinha encontrado fragmentos e vestígios dispersos, e tudo levava a pensar na existência de uma espécie de Legenda intermediária de Tomás de Celano, posterior à primeira redação e anterior à segunda Vida que conhecemos, uma obra composta sob o generalato do frei Elias. Encontrar esse texto foi uma confirmação muito, muito preciosa e, obviamente, uma grande alegria. Dizemos que essa descoberta choveu em um terreno pronto para recebê-lo.

Quando o senhor percebeu que o texto latino à sua frente na tela do seu computador não era apenas um florilégio umbro do fim do século XIII sobre a vida de Francisco, mas uma obra inédita de Tomás de Celano?
Decifrando o prólogo. No site, também havia imagens do manuscrito, não da mais alta qualidade, mas mesmo assim legíveis, embora com um pouco de dificuldade. A própria Laura Light, na sua descrição do códice, citava os meus estudos, referindo à possibilidade de que pudesse se tratar de uma peça importante de um mosaico ainda a ser totalmente concluído. Nesse ponto, a minha preocupação foi tornar o texto disponível aos estudiosos; se tivesse sido comprado de um privado, isso não seria automaticamente garantido. Por isso, me dirigi à diretora do departamento de manuscritos da Biblioteca Nacional da França, que, depois de uma negociação com a casa de leilões, comprou o livro. Enquanto isso, desde setembro passado até hoje, pude estudar o texto de modo aprofundado e preparar a edição latina e a tradução francesa, iniciando também as traduções em italiano e inglês. A notícia foi divulgada apenas no dia 16 de janeiro passado na imprensa francesa. Não era apropriado torná-lo conhecido antes para não interferir em uma negociação comercial em andamento, e eu queria também ter uma ideia precisa da colocação cronológica e do conteúdo do manuscrito.

Encontrou elementos interessantes no texto?
É um resumo, escrito em um lapso de tempo que vai de 1232 a 1239, da primeira versão da Legenda, considerada longa demais pelos contemporâneos, mas não só: são adicionados novos elementos e, lendo-o com atenção, fica evidente que a reflexão do autor também se aprofundou notavelmente ao longo do tempo, especialmente sobre as questões da pobreza e do amor pelas criaturas. Tomás de Celano era um homem muito profundo e nunca deixou de refletir sobre o ensinamento de Francisco. Em certo sentido, se poderia dizer que o biógrafo, com o passar dos anos, entende que… realmente não entendeu a mensagem de Francisco. Que o relatou, mas não o entendeu realmente. E é um texto amplo: a edição latina tem cerca de 60 cartelas.
Muitos comentários contidos na primeira versão foram eliminados, e há alguns pontos novos. Ressalta-se muito mais a concretude da experiência da pobreza, do experiri paupertatem não em sentido simbólico, alegórico ou só espiritual, mas real: significa usar as mesmas vestes e comer a mesma comida dos pobres. E se aprofunda o tema da fraternidade com toda a criação. No início, Tomás falava disso como de algo admirável, estranho e incrível, mas, substancialmente, estranho para a sua experiência. Bem escrito, mas distante. Na reescrita, em vez disso, ele reflete sobre o fato de que a fraternidade com a criação também diz respeito aos seres desprovidos de razão, não só aos seres humanos. É um discurso anti-identitário. Somos diferentes, mas irmãos, porque todos descendem da paternidade do Criador. Por isso, não concordo quando ouço que “Francisco amava a natureza”: é um conceito pagão. Francisco amava os seus irmãos homens e animais, por serem filhos de um mesmo Criador.

Há um ponto que chamou a sua atenção de modo particular?
Um episódio que já conhecíamos, mas que é contado de um modo um pouco diferente na chamada legenda trium sociorum. O que podemos ler agora é provavelmente a versão mais autêntica e mais antiga. Fala-se de uma viagem de Francisco em Roma, mas não como a peregrinação de uma pessoa já convertida, que abraçou a vida religiosa. Neste caso, é contada uma viagem de negócios de um mercador que fica impressionado com a pobreza dos mendicantes que vê perto de São Pedro e se pergunta se seria capaz de viver uma experiência semelhante. Nada a ver com a versão adocicada que se difunde posteriormente: Francisco, já frei, que se inclina sobre a dor de quem cruza pelo seu caminho. Aqui, o contraste é muito mais forte, não uma mudança gradual, mas um verdadeiro choque. Tomás acrescenta outros detalhes muito concretos e realistas: explica que Francisco reparava os buracos na sua túnica usando fibras tiradas da casca das árvores e das ervas que encontrava nos campos, justamente como faziam aqueles que não tinham absolutamente nada, nem mesmo os instrumentos para costurar.

Ainda é preciso entender...
O suspense está apenas no início: quem tinha esse livro no bolso? Por quem foi feito? Provavelmente, por um frei menor, perto de Assis. Quem podia ter conhecimento desses textos? O frei Leão, ou talvez o frei Luigi Pellegrini, levando em conta também o fato de que a Vita tem apenas 15 fólios, um oitavo do volume. No manuscrito, também há as Admoestações de Francisco e muito mais. Mas ainda há muito o que entender. Também é interessante o momento histórico em que floresceu do passado esse testemunho, em um ângulo de século que tem muitos pontos em comum com a grande expansão econômica e os grandes bolsões de pobreza do século XIII. É uma bela ajuda por parte do primeiro Francisco para o atual papa, que, justamente agora, está preparando uma encíclica sobre o amor pela criação.

A reportagem é de Silvia Guidi, publicada no jornal “L’Osservatore Romano”, no dia 27-01-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto, do Instituto Humanitas Unisinos.

Retirado do site:
http://www.franciscanos.org.br/

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Uma das explicações contra a consulta de horóscopos

ACERCA DA CONSULTA AOS ASTROS 
Santo Tomás de Aquino 

Como pediste que te escrevesse a propósito da licitude da consulta aos astros, cuidei escrever, desejando satisfazer teu pedido, sobre aquilo que nos foi transmitido pelos Santos Doutores


 
        Antes de tudo, é necessário que saibas que a virtude dos corpos celestes se estende à moção dos corpos inferiores. Com efeito, disse Santo Agostinho no livro quinto d´A Cidade de Deus: “Definitivamente, nem sempre é absurdo dizer que determinados astros podem ocasionar mudanças nos corpos”. E assim, se alguém recorre aos julgamentos dos astros para conhecer de antemão certos efeitos corporais, como a tempestade ou a serenidade do tempo, o vigor ou a fraqueza de um corpo, a fecundidade ou infecundidade das colheitas, e coisas similares, que dependam de causas corporais e naturais, não parece haver pecado. Pois, todos os homens recorrem a alguma observação dos corpos celestes em vista de conhecer efeitos deste tipo: os agricultores semeiam e colhem em períodos exatos após a observação do movimento do sol; os marinheiros evitam navegar quando a lua está cheia ou nas noites sem lua; os médicos examinam as doenças em dias específicos, determinados pelo curso do sol e da lua. Donde não há inconveniente na consulta aos astros com relação a efeitos corporais, fundada na observação de estrelas menos evidentes. 

        Mas é preciso absolutamente compreender que a vontade do homem não está sujeita à necessidade dos astros; de outro modo, pereceria o livre arbítrio, e sem este, não se poderiam atribuir as boas ações ao mérito do homem, nem as más à sua culpa. E, por esta razão, todo cristão deve ter por certo que o que depende da vontade do homem — todas as obras humanas são desta espécie — não está submetido à vontade dos astros. Por isso lemos nas Escrituras (Jr. 10, 2): Não vos espanteis com os sinais dos céus; porque com eles os gentios se atemorizam.
 
        Mas o diabo, a fim de arrastar os homens ao erro, imiscui-se nas predições daqueles que se voltam aos julgamentos astrais >. É o motivo pelo qual Santo Agostinho disse em seu Comentário Literal Sobre o Gênese: é preciso reconhecer que, quando os astrólogos predizem com veracidade, é devido a qualquer influência ocultíssima que os espíritos humanos põem ao seu serviço; e quando tal se dá com a intenção de mistificar os homens, é obra dos espíritos imundos e sedutores, que podem ter dos afazeres temporais algum conhecimento verdadeiro. Por este motivo, Agostinho diz ainda, no livro segundo de seu tratado Sobre a Doutrina Cristã, que as observações astrais desta espécie equivalem a um pacto contraído com demônios.

        Ora, o cristão deve evitar totalmente ter pacto ou sociedades com demônios, segundo esta palavra do Apostolo (I Cor. 10, 20): Não quero que vos torneis associados aos demônios. E assim, deve ser tido por certo que a consulta aos astros sobre o que depende da vontade do homem é um pecado grave. 

Sugestões de posts, dúvidas e críticas, envie para: catolicostradicionais@gmail.com