Nas eleições, em quem votar?

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, do Pró-Vida de Anápolis, ensina o "método PPP" de como escolher o canditado em quem votar nestas eleições.

O Sacerdote no altar deve unir-se a Maria Santíssima no Calvário

Uma meditação acerca da atuação do sacerdote no altar, especialmente durante a consagração e o sacrifício de Cristo na Cruz em união com Maria Dolorosa como a Corredentora do gênero humano.

"O Concílio Vaticano II - Uma história nunca escrita"

O professor Roberto de Mattei responde a algumas perguntas feita pela revista Catolicismo acerca do Concílio Vaticano II e o seu novo livro, que trata do mesmo tema.

Pedofilia: a Santa Sé realmente ignorou as denúncias da ONU?

Relatório da ONU vai além dos direitos das crianças e critica doutrina sobre homossexualidade, casamentos entre pessoas do mesmo sexo e contracepção

Sacerdote francês converte região de maioria muçulmana

Com uma conduta de verdadeiro "Alter Christus", este sacerdote converte uma região francesa onde a maior parte da população era muçulmana.

Meditações sobre a gravidade do Pecado e do Inferno

O Inferno é uma realidade, um dogma da Igreja. Não podemos nos escusar de nossas dívidas para com Deus apenas evitando acreditar na existência do Inferno. "Não é católico quem não acredita no Inferno"

Conheça e divulgue a devoção da Medalha Milagrosa de Nossa Senhora!

A Virgem Santíssima prometeu várias graças a quem utilizar com devoção Sua Medalha Milagrosa. Divulgue-a!.

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domingo, 31 de agosto de 2014

O crime do Padre Hosaná, o Padre que matou Dom Francisco Expedito Lopes


Aquilo nunca tinha acontecido no Brasil, pelo menos, ninguém tinha conhecimento de coisa tão assombrosa, tão fora de propósito; por isso, foi com espanto e estupefação que, no dia dois de julho de 1957, os brasileiros tiveramas primeiras notícias sobre o assassinato do bispo da cidade de Garanhuns, Dom Francisco Expedito Lopes (1914 - 1957), notícias essas que, com o correr dos dias, se tornaram um escândalo nacional e internacional devido ao inusitado do fato. Mais estupefactos todos ficaram quando a identidade do assassino logo foi divulgada: tratava-se de um padre; seu nome, Hosaná de Siqueira e Silva, pároco da cidade de Quipapá, pertencente à diocese daquela cidade.

Depois se soube que a rixa entre o prelado e o sacerdote já vinha de algum tempo. Tudo relacionado a um suposto romance proibido mantido por padre Hosaná com uma sua prima (ou sobrinha, conforme alguns relatos), Maria José Martins, que, inclusive, morava na casa paroquial. Todos em Quipapá sabiam do relacionamento dos dois, mas, como sempre acontecia em cidades do interior do país, a união era vista quase como normal, apesar de tudo ser comentado à bocapequena, já que o padre era conhecido por seutemperamento forte e desabrido. Padre Hosaná também era mal visto pela população devido ao fato de que, além de sua “vida pecaminosa”, tornara-se relapso com relação aos seus deveres eclesiásticos, deixando de rezar as missas na igreja de sua paróquia e nas capelas dos distritos vizinhos e preocupando-se mais com uma fazenda que possuía em um município próximo que com seu rebanho. Isso estava se tornando insuportável para os católicos da cidade, ou seja, praticamente toda a população.

Obviamente, quando o romance ficou mais escancarado, o bispo logo foi avisado. Chamado às falas, padre Hosaná negou o romance com a prima, dizendo-se vítima de "boatos de pessoas que querem me afastar da paróquia". Inflexível, o bispo exigiu o afastamento da moça, então já grávida, segundo os paroquianos da cidade, ameaçando suspender o sacerdote de suas funções religiosas.Acossado, Hosaná teve que se curvar á disposição de seu superior e transferiu a prima para outra localidade, não obstante continuar a negar a veracidade do fato.

Acontece que não demorou muito e a cidade foi invadida por novos boatos: o padre teria instalado uma substituta na casa paroquial – uma garota de nome Quitéria –, mais jovem e mais bonita do que a suposta prima anterior; a notícia se espalhou como um rastilho de pólvora, não demorando a chegar aos ouvidos de Dom Francisco, que, imediatamente, convocou seu subordinado para uma conversa franca e definitiva.

O bispo foi curto e grosso: disse ao padre que seu comportamento pecaminoso que escandalizava a cidade estava comprometendo o nome da igreja, não lhe deixando outra alternativa; além do mais, deu-lhe o prazo de quinze dias para que ele afastasse da casa paroquial a mulher que lá vivia, a tal de Quitéria. O padre não obedeceu. E no dia primeiro de julho de 57, em que seria publicado o ato episcopal suspendendo suas ordens sacerdotais, Hosaná, armado com um revólver Taurus, calibre 32, primeiramente se dirige à Rádio Difusora de Garanhuns, onde pretendia se defender das acusações do bispo que ele considera injustas. Entretanto, o pessoal da emissora, barra suas pretensões e se negam a lhe conceder seu direito de defesa. De caráter violento, sai transtornado do local e se dirige ao palácio Episcopal em Garanhuns para, mais uma vez, discutir com o bispo o que ele chamava de “perseguição” contra ele, alimentada, segundo ele e alguns amigos, pelas intrigas do sacristão Luís Gonzaga de Oliveira, carola de carteirinha.

A porta do palácio foi aberta pelo próprio bispo Dom Francisco Expedito Lopes. Aqui as versões se confundem; segundo alguns, assim que abre a porta, Dom Francisco Expedito foi fulminado pelos disparos, não esboçando nenhuma reação. Outros relatos dizem que, aberta a porta, os dois sacerdotes iniciaram uma discussão em altos brados. Quando o bate-boca estava no auge, o padre nem pestaneja, dispara três tiros à queima-roupa no bispo, foge do local e se entrega aos religiosos do Mosteiro de São Bento. O fato é que, tão logo foi baleado, Dom Expedito élevado às pressas para o hospital, mas não resiste aos ferimentos, morrendo na madrugada do dia seguinte. O caso, como não poderia deixar de ser abala Pernambuco, ganha manchetes de jornais em todo o Brasil, com repercussão até no exterior. Afinal de contas, depois se soube, esse tipo de assassinato nunca havia acontecido no país, havendo somente dois precedentes no mundo inteiro em dois séculos, um em Paris, em 1857, quando um padre de nome Louis Verge matou a punhaladas, na igreja de Santa Madalena o arcebispo Dom August Sibour, e um segundo acontecido na capital da Espanha, Madrid, em 1886, quando o abade Galleote Costela assassina a tiros o bispo de Madrid, Dom Martinez Izquierdo.

O padre assassino logo foi capturado pela Polícia e transferido para a casa de detenção de Recife. Nãodemorou e padre Hosaná recebeu a penalidade máxima de sua igreja: foi excomungado pela alta cúpula do catolicismo.

Enquanto isso, a história do assassinato do bispo ganhava a boca do povo e virava tema de reportagens, livros e até de folhetos de cordel. O primeiro cordel sobre o assunto, de autoria de um certo José Soares, com o título A Morte do Bispo de Garanhuns, foi publicado já aos cinco de julho do mesmo ano, no jornal Diário da Noite de Recife, ganhando após as ruas e as feiras, sendo vendido então, a preço de capa, por quatro cruzeiros. Merece ser transcrito pelo que representa do espírito da época. A transcrição é literal:


“Garanhuns está de luto:
numa bisonha manhã
foi morto dom Expedito,
um bispo de alma sã,
pelo revólver dum padre
partidário de Satã.

Um padre matar um bispo
quase não tem fundamento;
maculou com sua fúria
dos dez, este mandamento:
‘Não Matarás’, disse Deus
no sagrado sacramento.

Quantas vezes esse padre
lá no púlpito a pregar
repetiu nos seus sermões
que Deus não manda matar,
quando ele próprio faz
su’alma se condenar.

É lamentável leitores
mas tudo se comprovou
e desse drama de ontem
que a todo o mundo abalou
vou contar em poucas linhas
como tudo se passou.

O padre Hozana Siqueira,
vigário de Quipapá
não cumpria pela regra
a lei de Deus Geová,
ligando pouco os deveres
de ministro de Alá.

Porque ele, sendo padre
estava no seu critério
defender e pugnar
pelo santo presbitério,
combater e condenar
qualquer ato deletério.

Mas o padre assim não fez
e fugindo da rotina
seguindo outro endereço
fora da casa divina
desrespeitando sem medo
a lei da santa doutrina.

Seus atos precipitados
lhe tiram toda razão
prova que ele abraçara
os atos do Deus pagão
repudiando sem asco
a cristã religião.

Se ele não tinha fibra
pra ser ministro de Cristo,
renunciasse à igreja;
hoje estava fora disso:
talvez não fosse assassino,
odiado e mal visto.

Pois bem, esse dito padre
coração de caifaz
achou que tudo fazia
e depois saísse em paz,
dando uma vela a Deus
e outra pra Satanaz.

Foi quando dom Expedito,
o bispo de Garanhuns,
sabendo daqueles fatos
por rumores e zunzuns
resolveu tirar o padre
dos seus atos incumuns.

Fez ciente ao padre Hozana
que este fazia jus
à condenação de Deus
por ser um padre sem luz
ficando o mesmo suspenso
da igreja de Jesus.

O bispo fez o ofício
confiado em Geová
e mandou ao padre Hozana,
vigário de Quipapá,
pra esse ficar suspenso
de fazer sermões por lá.

O padre Hozana ficou
bastante contrariado;
consigo mesmo dizia
‘o bispo está enganado;
eu sou padre na igreja
mas fora sou um danado’.

De rato este padre Hozana
tinha vida dezabrida;
de púlpito da matriz,
a sua doce guarida,
ele espancava a pessoa
que falasse de sua vida.

Descompunha os infelizes
que iam lá na matriz;
espancava até menores
com sua fúria infeliz;
dentro lá de Quipapá
sempre fez o que bem quis.

Então esse dito padre,
ao par da intimação,
disse que dom Expedito
iria pedir perdão
a ele, por ordenar
logo sua suspensão.

Com o revólver na cinta
e no coração o mal,
o padre Hozana seguiu
pra difusora local
tentando manchar o bispo,
nessa hora seu rival.

Chegando na difusora
lá não foi bem recebido;
pra usar o microfone
ele não foi atendido;
então saiu furioso
já bastante decidido.

Chegando na diocese,
quando a porta se abriu,
o bispo Expedito Lopes
na sua frente surgiu;
o padre como um demônio
contra a vítima investiu.

Sacando de seu revólver
nessa triste ocasião,
três estampidos soaram
foi tremenda a explosão,
e logo dom Expedito
ferido tombou no chão.

O primeiro que ouviu
dos estampidos a zuada,
soldado José Cordeiro,
que, não sabendo de nada,
foi entrando no palácio:
ali cismou da parada.

Pois, o padre vinha louco
correndo desembalado,
entrando logo num jeep
ali estacionado,
saindo em velocidade
com destino ignorado.

O soldado então entrou
no palácio episcopal;
seus olhos se depararam
com um quadro sepulcral:
dom Expedito jazia
em sangue ali no local.

Dom Expedito gemia
se contorcendo de dores;
ele, sendo tão pacato,
nunca pensou em horrores;
estava em leito de espinhos
quem tanto cuidou de flores.

Foi levado ao hospital
dali a dado momento
pois a notícia espalhou-se
do triste acontecimento,
e no Hospital Dom Moura
parou o seu sofrimento.

Pois, não suportando as dores
sua vida foi passada
às duas horas e quinze
de uma triste madrugada,
deixando o povo tão triste
e a cidade enlutada.

O mundo é um vale de lágrimas
a morte temos por certo;
nossa vida é por enquanto,
nosso túmulo vive aberto;
contente o bispo vivia
porque ainda não sabia
que a morte estava tão perto.

Terminarei, caros leitores,
nada mais tenho a dizer;
o triste acontecimento
estou disposto a vender;
de um jornal escrevi
porque lá não assisti:
melhor não pude fazer.”

O julgamento, acontecido dois anos depois (20.02.1959), como
 não poderia deixar de ser, tornou-se um espetáculo, com repórteres de todo o país e até do exterior. Padre Hosaná nunca confirmou os boatos da ligação com a prima, continuando a defender sua tese de perseguição por parte do bispado. Segundo ele,

“o fato histórico em si eu aceito. A maneira como é contada é inverídica e caluniosa à minha pessoa. Inteiramente falsa”.

A igreja católica, no entanto, utilizou-se de toda a sua força para que padre Hosaná fosse castigado com toda a rigidez da lei. Falava-se na mais 
alta pena permitida pela justiça. E qual não foi a surpresa geral quando saiu a sentença: contrariamente do que propagava aimprensa, sob aplausos, padre Hosaná foi condenado a apenas dois anos e seis meses de prisão, e mais dois anos numa clínica psiquiátrica.

A revista O Cruzeiro, em reportagem sobre o julgamento (14.03.1959), sob o título “Prevaleceu a tese da legítima defesa”, assim concluiu sua matéria:

“Depois de ouvida a sentença, o Padre Hosanná, sorrindo, fez acenos para os que tinham aplaudido a decisão do Tribunal. Foi a ocasião de ser cercado por uma equipe de fotógrafos e radialistas. Depois, então, veio a parte familiar. Estavam presentes na sala do júri quatro dos oito irmãos de Hosanná (...) Por um instante, apenas eles deixaram o recinto durante as 13 horas do julgamento. Acompanharam todos os lances da acusação e da defesa com o maior interesse. Após abraços seu irmão, o Sr. Edu Siqueira foi cumprimentar o criminalista (da acusação), Dr. Antônio de Brito Alves, pelo seu brilhante trabalho na tribuna. Estava o Sr. Edu satisfeito com o resultado do ‘affaire’. Enquanto isso, a acusação vai solicitar novo julgamento.

Mais tarde, daria o Padre Hosanná de Siqueira, na Casa de Detenção, uma entrevista das mais curiosas. Estava ele entre detentos que se regozijavam pela sua vitória (parcial) perante a justiça dos homens. Mostrando um sorriso amável, disse Hosanná: Esta batina não me sairá do corpo. Por ele lutarei com todas as minhas forças. Partirei agora para conseguir a minha reintegração dentro da igreja. Adiantou que vai lançar um livro que recebe neste momento os últimos retoques.

Não guardo rancores de ninguém – declarou –, não olhei para ninguém com cinismo, como declarou a acusação. Procurava ver apenas os meus acusadores. Se ri, algumas vezes, foi do tamanho da mentira, tanta calúnia contra mim.

Terminando sua entrevista, acentua o Padre Hosanná de Siqueira:

Olhando o Cristo que se acha entronizado no Palácio da Justiça, coloquei a seus pés meu coração agradecido.”



A maior derrotada no julgamento foi, certamente, a igreja católica, que se sentiu injuriada com pena tão suave. Na mesma hora, os advogados de acusação e a promotoria recorreram da sentença, fazendo com que o julgamento fosse anulado. O segundo julgamento foi ainda mais confuso, fazendo com que, também, fosse anulado. Finalmente, no terceiro, acontecido em cinco de setembro de 1963, padre Hosana é finalmente condenado a uma pena considerada justa pela igreja e pela sociedade: 19 anos de cadeia. Cumpriu a pena até 05 de setembro de 1968, quando ganhou liberdade condicional.


O epílogo dessa história foi, como sói, exemplar: recolhido em sua fazenda, a 09 km da cidade de Correntes, onde nasceu, o padre Hosana passou a viver da agricultura. Ali, no dia 07/11/1997, aos 84 anos, ele foi assassinado a golpes de madeira na cabeça. O caso de seu assassinato logo se transformou em um quebra-cabeça misterioso para a polícia. Após as primeiras investigações, foram indiciados como autores do crime Cícero Barbosa da Silva e Evalda Maria Peixoto da Silva, um casal de humildes agricultores, residentes nas proximidades da fazenda do ex-padre Hosaná. Entretanto, desde o início das investigações, a promotora de Correntes, Ana Jaqueline Barbosa Lopes, desconfiou de que o casal não fosse realmente os assassinos. E tudo voltou à estaca zero.


Passados os anos, até hoje não se sabe quem matou padre Hosaná. E o bispo Expedito? Após um processo canônico de anos, noticiou-se, em 2005, que ele estaria na iminência de virar santo da igreja católica, muitos dizendo que ele seria o primeiro brasileiro a alcançar tal honraria. Mas, assim como veio, a notícia desapareceu dos noticiários.



Artigo retirado do blog: http://decadade50.blogspot.com.br

O Vaticano II em perguntas e respostas




*Estas perguntas e respostas serão adicionadas ao artigo "O Vaticano II e seus frutos"


Excelente compilação retirada do blog http://auxiliodoscristaos.blogspot.com.br

Quando aconteceu o Concílio Vaticano II?
O Vaticano II foi aberto pelo Papa João XXIII em 11 de outubro de 1962. João XXIII morreu no ano seguinte; mas seu sucessor, Paulo VI, continuou o Concílio e encerrou-o em 8 de dezembro de 1965.

O Concílio durou mais de três anos ininterruptos?
O Concílio Vaticano II compreendeu quatro sessões de menos de três meses, em cujo intervalo os bispos retornavam às suas dioceses. A primeira sessão (11 de outubro a 8 de dezembro de 1962) – a única que se deu no pontificado de João XXIII – não promulgou nenhum documento: dedicaram-se, sobretudo, a descartar o trabalho da Comissão Preparatória.

Qual é o lugar do Vaticano II entre os demais concílios?
O Vaticano II foi o 21° Concílio Ecumênico. Foi, quanto ao número de participantes, o mais importante de toda a História: dois mil bispos ali se reuniram.

Em que o Concílio Vaticano II difere dos Concílios anteriores?
O Concílio Vaticano II declarou não querer ser mais que um “Concílio Pastoral”, que não define as questões de Fé, mas dá diretivas pastorais para a vida da Igreja. Renunciou à definição de dogmas e assim, à infalibilidade que pertence a um Concílio. Seus documentos não são, portanto, infalíveis.

Quais são os objetos ordinários de um Concílio?
Na sua carta de convocação do primeiro Concílio do Vaticano, Pio IX indica que os Concílios Gerais foram convocados, sobretudo “nas épocas de grandes perturbações, quando calamidades de todo gênero se batiam sobre a Igreja e sobre os povos”. Todos os Concílios Ecumênicos do passado foram convocados para vir ao encalço de uma heresia (como foi o caso dos sete primeiros), ou para corrigir um mal então dominante (simonia, cisma, corrupção do clero, etc). Pio IX resume assim os principais fins de um Concílio:
“Decidir com prudência e sabedoria, tudo o que poderia contribuir para definir os dogmas da Fé; para condenar os erros que se espalham insidiosamente; para defender, colocar à luz, explicitar a Doutrina Católica; para conservar e reorganizar a disciplina eclesiástica; para corrigir os modos corrompidos da população.” (Bula de Convocação para o Concílio Vaticano I. AAS, 1868, vol IV, p.5.)

Nunca houve, então, outro Concílio “pastoral” antes do Vaticano II?
Todos os Concílios da Igreja foram pastorais. Mas o foram definindo os dogmas; desmascarando os erros; defendendo a Doutrina Católica; e lutando contra as desordens disciplinares e morais. A originalidade do Vaticano II foi a de querer ser “pastoral” de uma maneira nova, recusando-se a definir dogmas, a condenar erros, e mesmo a apresentar a Doutrina Católica de modo defensivo.

O Vaticano II não promulgou documentos dogmáticos?
O Vaticano II promulgou dezesseis textos: nove decretos, três declarações e quatro constituições. Dentre estas, duas são ditas “Constituições Dogmáticas”: Lumen Gentium(sobre a Igreja) e Dei Verbum (sobre a Revelação). Isso não significa que tenham proclamado dogmas ou que sejam infalíveis, mas apenas que tratam de uma matéria referente ao dogma. O Vaticano II se recusou a definir o que quer que seja de modo infalível; Paulo VI o sublinhou explicitamente em 12 de janeiro de 1966, algumas semanas após seu encerramento:
“Tendo em vista o caráter pastoral do Concílio, este evitou proclamar de modo extraordinário dogmas dotados da nota da infalibilidade.”

A “pastoralidade” do Vaticano II caracteriza-se pela adaptação da Igreja ao nosso tempo?
Todos os Concílios adaptaram a Igreja ao seu tempo. Mas o fizeram anatematizando os erros do dia; punindo os desvios morais ou disciplinares da época; armando a Igreja contra seus inimigos. A adaptação não visava a se conformar com o século, mas a melhor resistir-lhe. Não se tratava de agradar ao mundo, mas de confrontar e de o vencer, para agradar a Deus. João XXIII e Paulo VI procuraram, ao contrário, tornar a Igreja Católica sedutora para o homem moderno.

João XXIII e Paulo VI exprimiram essa intenção?
João XXIII declarou, em 14 de fevereiro de 1960:
“O fim primeiro e imediato do Concílio é o de apresentar ao mundo a Igreja de Deus, no seu perpétuo vigor de vida e de Verdade, e com sua legislação adaptada às circunstancias presentes, de modo a ser sempre mais conforme à sua divina missão e estar sempre mais pronta para as necessidades de hoje e de amanhã. Em seguida, se os irmãos que se separaram e que ainda estão divididos entre si virem se concretizar o comum desejo de unidade, poderemos lhes dizer então, com uma viva emoção: é a vossa casa; a casa daqueles de trazem o sinal de Cristo.” (João XXIII, discurso ao Conselho Geral da Ação Católica Italiana, em 14 de fevereiro de 1960).
O Cardeal Montini, futuro Paulo VI, declarava, em abril de 1962:
“A Igreja se propõe, pelo próximo Concílio, a entrar em contato com o mundo (...) Ela se esforçará para ser (...) amável em sua linguagem e na sua maneira de ser.”
E, durante o Concílio, Paulo VI afirmava, em sua encíclica Ecclesiam Suam:
“A Igreja poderia se propor a realçar os males que podem se encontrar no mundo, a pronunciar anátemas e suscitar cruzadas contra eles (...); parecem nos, ao contrário, que a relação da Igreja com o mundo (...) pode se exprimir melhor sob a forma de um diálogo” (§80).

O Vaticano II se quis, desde o início, portanto, como um Concílio de abertura e diálogo?
De fato, os membros da Comissão Preparatória estabelecida por João XXIII, pensavam dever organizar um Concílio normal. Tiveram um enorme trabalho para esboçar esquemas que pudessem servir de base aos debates conciliares. Mas, durante esse tempo, o Secretariado para Unidade dos Cristãos igualmente estabelecido por João XXIII (em junho de 1960), trabalhava em outro sentido. Finalmente, a verdadeira intenção de João XXIII prevaleceu: no início do Concílio, livraram se dos esquemas preparatórios, julgados demasiado “doutrinais”, e o Concílio se comprometeu com a via preparada pelo Secretariado de Unidade.

Como o Secretariado para a Unidade preparou o Concílio?
Sobre a presidência do Cardeal Bea, o Secretariado para a Unidade preparou o Concílio perguntando aos católicos o que esperavam da Igreja. Estabeleceu contatos com os ortodoxos, os protestantes, os judeus, os comunistas e os maçons, e comprometeu-se mesmo a que alguns de seus desiderata fossem satisfeitos.

Quais foram as exigências dos ortodoxos e dos comunistas?
Para contar com a presença de observadores ortodoxos no Concílio, João XXIII se comprometeu à não condenação do comunismo no Concílio. Monsenhor Roche, amigo e confidente do Cardeal Tisserant, testemunha: “O Cardeal Tisserant recebeu ordens formais tanto para negociar o acordo como para supervisionar sua exata execução durante o Concílio. Foi assim que, a cada vez queria abordar a questão do comunismo, o Cardeal, de sua mesa do Conselho da Presidência, intervinha”. (Itinéraires 285, p.157.)

Quais foram os pedidos dos judeus?
No número 1001 da Tribune Juive (1987), Lazare Landau conta:
“Numa noite brumosa e glacial de inverno de 1962-63, atendi a um convite extraordinário no Centro Comunitário da Paz, em Estrasburgo. Os dirigentes judeus recebiam, em segredo, no subsolo, um enviado do papa. Na saída do Shabat, éramos uma dezena para acolher um dominicano de vestimenta branca, o reverendo padre Yves Congar, encarregado pelo Cardeal Bea, em nome de João XXIII, de nos perguntar, no início do Concílio, o que esperávamos da Igreja Católica (...)”.
“Os judeus, mantidos há vinte séculos à margem da sociedade cristã, frequentemente tratados como subalternos, inimigos e deicidas, pediam sua completa reabilitação. Provindos, em linhagem direta, do tronco abrâmico, de onde saiu o Cristianismo, pediam para serem considerados como irmãos, parceiros de igual dignidade, da Igreja Cristã (...).”
“O mensageiro branco – despojado de qualquer símbolo ou ornamento – retornou a Roma, portador das inumeráveis solicitações que reforçavam as nossas. Depois de debates difíceis (...), o Concílio atendeu as nossas expectativas. A declaração Nostra Aetate n° 4 constituiu – Padre Congar e três redatores do texto me confirmaram – uma verdadeira revolução na doutrina na Igreja sobre os judeus (...)”.
“Homilias e catecismos mudariam em poucos anos (...). Desde a visita secreta do Padre Congar, num lugar escondido da sinagoga, durante uma noite muito fria de inverno, a doutrina da Igreja tinha conhecido uma total mutação.”

Quais foram os pedidos dos protestantes e dos maçons?
Em setembro de 1961, o Cardeal Bea encontrou, secretamente, em Milão, o Pastor Willem A. Visser’t Hooft, secretário-geral do Conselho Ecumênico de Igrejas (organismo de origem protestante, de tendência maçônica). A liberdade religiosa foi um dos temas mais importantes do encontro. Mas tarde, em 22 de julho de 1965, na véspera da última sessão conciliar, o mesmo Conselho Ecumênico de Igrejas publicou a lista de suas sete exigências fundamentais em matéria de liberdade religiosa. Todas foram satisfeitas pelo Concílio no documentoDignitatis Humanae.

Que conclusões se pode tirar dessa política de abertura levada a cabo pelo Concílio Vaticano II?
Percebe-se claramente que o Vaticano II não foi um Concílio como os demais. Os textos que promulgou, fruto de um “diálogo” com o mundo, são mais textos diplomáticos ou “publicitários” (destinados a dar uma boa imagem a Igreja) do que textos magisteriais (ensinando com autoridade e precisão Verdades de Fé). Nenhum dos textos conciliares é, de si, infalível.

Qual foi a influencia desse Concílio na Crise da Igreja?
As forças liberais e modernistas, que já minavam a Igreja, conseguiram colocar as mãos sobre o Concílio Vaticano II. Pode-se então dizer, que o Vaticano II foi a faísca que deflagrou uma crise que se preparava já de longa data na Igreja.
A quando podem-se remontar as origens dessa crise?
São Pio X já constatava na encíclica Pascendi, que o modernismo não era um inimigo exterior à Igreja, mas que havia penetrado no interior, apesar de seus adeptos ainda esconderem suas verdadeiras intenções.

O Papa São Pio X não combateu vigorosamente esses modernistas?
São Pio X combateu o modernismo energicamente. Seus sucessores até Pio XII fizeram o mesmo, com mais ou menos vigor; mas não conseguiram verdadeiramente vencê-los. A Encíclica Humani Generis, de Pio XII, condenando o que se chamou “Nova Teologia” (1950), foi aceita exteriormente; mas, nas realidade foi desprezada por muitos. Continuaram a se interessar nas teses condenadas e, nas casas de formação, encorajavam se os futuros padres a fazer o mesmo.

Pode-se dizer que o Vaticano II foi uma revolução na Igreja?
Que o Concílio foi uma revolução na Igreja, alguns de seus defensores clamam-no, eles mesmos. Assim, o Cardeal Suenens fez um paralelo entre o Concílio e a Revolução Francesa, dizendo que o Vaticano II havia sido o 1789 na Igreja. O Padre Yves Congar, teólogo conciliar, comparou o Concílio à Revolução bolchevique: “A Igreja fez pacificamente sua Revolução de Outubro.” (Yves Congar, O.P. Le Concile au jour Le jour. Deuxième session, Paris, 1964, p.215)

Como os liberais colocaram as mãos sobre o Concílio?
Graças ao apoio de João XXIII e de Paulo VI, as forças liberais e neomodernistas introduziram nos textos do Concílio, um grande número de ideias. Antes do Concílio, a Comissão Preparatória havia preparado com cuidado, esquemas que eram o eco da Fé da Igreja. É sobre esses esuqmas que a discussão e os votos deveriam ter sido feitos, mas eles foram rejeitados na primeira sessão do Concílio e substituídos por novos esquemas preparados pelos liberais.

Não houve no Concílio defensores da Doutrina tradicional?
Houve no Concílio um grupo de mais ou menos de 250 a 270 bispos decididos a defender a Tradição da Igreja. Acabaram por formar o Coetus Internatinalis Patrum. Mas contra ele, estava já constituído e perfeitamente organizado, um grupo de Cardeais e Bispos liberais, que se chamou Aliança do Reno.

De onde vem esse nome, Aliança do Reno?
O nome Aliança do Reno vem do fato de os dirigentes desse grupo liberal eram, quase todos, bispos de dioceses às margens do Rio Reno. A cada dia esse grupo inundou o Concílio com folhas datilografadas, nas quais se diziam aos bispos em que sentido deviam votar. É por isso que um jornalista, o padre Ralph Wiltgen, pôde intitular O Reno se Lança no Tibre, seu livro que contava a história do Concílio.

Os inovadores eram majoritários?
Como toda revolução, o Vaticano II não foi conduzido pela maioria, mas por uma minoria bem ativa e organizada. A maioria dos bispos estava indecisa e pronta para seguir os conservadores. Mas, quando viram que os dirigentes da Aliança do Reno eram amigos pessoais do papa e que alguns dentre estes (os Cardeais Dopfner, Lecaro e Suenens) tinham até sido nomeados moderadores do Concílio, eles os seguiram.

Os textos do Vaticano II, portanto, não são representativos do que pensava a maioria dos bispos na abertura do Concílio?
Um teólogo da ala progressista, Hans Kung, exprimiu um dia, sua alegria de que um sonho de uma pequena minoria se havia realizado no Concílio: “Nenhum daqueles que vieram aqui para o Concílio voltará para sua casa igual ao que era antes. Pessoalmente nunca teria esperado que os bispos falassem de modo tão ousado e tão explicito na aula conciliar.” (O Reno se Lança no Tibre, pag. 65)

Quem é esse teólogo Hans Kung?
Hans Kung manifestou, desde o Concílio, a que espírito se filia. Além da infalibilidade pontifícia e da Divindade de Cristo, esse eclesiástico nega a maior parte dos dogmas cristãos de tal maneira que mesmo a Roma conciliar teve que lhe retirar a autorização de lecionar.

Outros teólogos hereges exerceram influência no Vaticano II?
O jesuíta Karl Rahner (1904-1984), mesmo sendo mais prudente e menos explicito, espalhou teses análogas em suas obras. O Santo Ofício, desde 1949, impôs-lhe silencio sobre certas questões. Teve, no entanto, sobre o Concílio Vaticano II uma influência imensa; Ralph Wiltgen chega a dizer que foi o teólogo mais influente do Concílio:
“A posição dos bispos de língua alemã sendo regularmente adotada pela Aliança europeia (Aliança do Reno), e a posição da Aliança sendo, por sua vez, a mais frequentemente adotada pelo Concílio, bastava que um só teólogo fizesse suas visões serem adotadas pelos bispos de língua alemã para que o Concílio as fizessem suas. Ora, um tal teólogo existia: era o padre Karl Rahner.” (O Reno se Lança no Tibre, pag. 85)

Há outros testemunhos sobre a influência de Rahner no Concílio?
O padre Congar conta:
“O clima virou: Rahner dixit, ergo verum est [Rahner disse, então é verdade]. Dou um exemplo. A Comissão Doutrinal era formada pelos bispos, cada um tendo a seu lado seu próprio perito, mas também por alguns Superiores Gerais (como o dos Dominicanos ou dos Carmelitas). Ora, sobre a mesa da Comissão havia dois microfones; mas Rahner praticamente havia tomado um somente para si. Rahner era um pouco intrometido e muito frequentemente o Cardeal de Viena, Franz Konig, cujo perito era Rahner, virava-se em sua direção e dizia lhe para que falasse: Rahner, quid? Naturalmente, Rahner intervinha (...)”. (Yves Congar, em Trinta Dias, edição francesa, n° 3, 1993, pag.26)

Qual era o pensamento de Karl Rahner?
Karl Rahner era um revoltado contra o ensinamento tradicional da Igreja que, para ele, era só “monolitismo” e “teologia de escola.” Uma carta que escreveu em 22 de fevereiro de 1962, por ocasião da tradução italiana de seu Pequeno Dicionário Teológico esclarece-nos sobre seus sentimentos em relação ao Magistério da Igreja:
“(...) Uma tradução italiana é claramente um problema especial, em razão da presença, em Roma, de lideres e guardiães da ortodoxia. Por outro lado, estou cada vez mais fortificado em minhas posições. Também se poderia dizer que esse pequeno léxico está redigido de tal modo que essas pessoas não compreendam nada e não vejam, portanto o que está dito contra sua estreiteza.” (Herbert Vorgrimler. Karl Rahner verstehen, Friburgo, Herder, 1995, pag.175)

Karl Rahner manifestou, durante o Concílio, sua revolta contra a Tradição e o Magistério da Igreja?
Durante o Concílio, o Cardeal Ottaviani, Prefeito do Santo Ofício, exprimiu um dia em seu discurso sua inquietação quanto a algumas inovações. Falava sem texto, por estar quase cego e ultrapassou seu tempo para falar. Então, o microfone simplesmente lhe foi cortado. Rahner comentou o acontecimento em uma carta escrita a Vorgrimler, em 5 de novembro de 1962:
“Você já deve ter sabido que Alfrink, de novo, simplesmente cortou a palavra a Ottaviani, por que ele falava por muito tempo. Começou-se a aplaudir (o que não é habitual). Moral: A alegria sádica é a alegria mais pura.” (Deutsche Tagespost, 10 de outubro de 1992).

Encontra-se na correspondência de Karl Rahner, outros elementos sobre seus sentimentos sobre o Concílio?
A publicação, em 1994, da correspondência trocada entre o padre Karl Rahner e a poetisa austríaca Luise Rinser (1911-2002) fez estourar o escândalo: no momento mesmo em que mandava chover e fazer bom tempo no Concílio, Karl Rahner estava em correspondência amorosa com essa mulher, escrevendo-lhe, em sua paixão, até três cartas por dia (276 somente no ano de 1964).

Outros maus teólogos influenciaram o Vaticano II?
Pode-se citar, entre outros, os Padres Congar e De Lubac, já apresentados anteriormente, o padre Schillebeeckx, o padre John Courtney-Murray, etc.

Qual foi a influencia do padre Congar no Concílio?
Monsenhor Lefebvre conta:
“No início do Vaticano II, eu ia às as reuniões [dos bispos franceses] em Saint Louis-des-Français. Mas ficava estupefato de ver como aquilo acontecia. Os bispos se comportavam literalmente como garotinhos diante dos Congar e outros peritos que gritavam em torno. Opadre Congar subia à mesa da presidência e, sem o menor pudor, dizia: ‘Monsenhor Fulano, o senhor fará tal intervenção sobre tal assunto. Não tenha nenhuma preocupação. Nós lhe prepararemos o texto e o senhor só terá que ler.’ Não podia crer no que meus olhos viam, nem no que meus ouvidos ouviam! E parei de ir a essas reuniões (...)” (Monsenhor Marcel Lefebvre, Fideliter n°59, pag,53).

Há outros testemunhos sobre a influencia do padre Congar?
Monsenhor Desmazières, Bispo-auxiliar de Bordeaux, conta:
“(...) De tarde os trabalhos continuavam. Eu ia ao meu dirigido pelo padre Congar, sobre a Escritura e a Tradição. Éramos uma dúzia. A nós cabia prever as intervenções a serem feitas no dia seguinte (...). pediram-me para tomar a segunda. Não me recusei, mas com a condição do padre Congar preparasse meu texto. Estava de acordo. Ele mo passará amanhã no ônibus (...) Tomei conhecimento do texto no trajeto; não estava decidido mudar o que quer que fosse. Desembarcando em São Pedro, inscrevi-me para falar: era o vigésimo primeiro (...)” (Monsenhor Desmazières. L’Aquitaine, semaine religieuse de Bordeaux, dezembro de 1962, pag.580).

O que disso dizia o padre Congar?
O padre congar, normamente, minimizava sua influencia no Concílio. No entanto, assim resumiu sua ação: “A preparação do Concílio havia estado sob a dominação dos homens da Cúria e do Santo Ofício (...) Tudo consistiu praticamente, em os colocar em minoria.” (Yves Congar O.P., em Une Vie pour la Verité, Jean Puyo interrege Le père Congar, Paris, Centurion, 1975, pag.140). Era para ele uma vitória. Dez anos antes, punido por seus Superiores, anotava em seu diário pessoal as seguintes resoluções:
“Continuar ao máximo a escrever no mesmo sentido, utilizando todas as chances de liberdade. Aí está, sobretudo, meu combate. Eu sei (e ‘eles’ sabem!) que, em maior ou menor escala, tudo o que digo e escrevo é a negação do sistema. Sim, ai está meu verdadeiro combate: em meu trabalho teológico, histórico, eclesiológico e pastoral. O curso que eu componho nesse momento, de Ecclesia, exatamente como não se tratasse de nada, uma verdadeira resposta; é minha verdadeira dinamite sobre a cadeira dos escribas.” (Yves Congar O.P., notas manuscritas de fevereiro de 1954, citadas por François Leprieur O.P. Quand Rome condamne, Paris, Plont/Cerf, 1989, pag.259).
Depois do Concílio, declarou:
“O Concílio liquidou o que eu chamava incondicionalismo do sistema. Entendendo por sistema todo um conjunto muito coerente de ideias comunicadas pelo ensinamento das Universidades romanas, codificas pelo Direito Canonico, protegidas por uma supervisão escrita e bem eficaz sob Pio XII, com resumos, apelos à ordem, submissão dos escritos a censuras romanas e etc. Pelo fato do Concílio, o sistema foi desintegrado.” (Yves Congar O.P., em Une Vie pour la Verité, Jean Puyo interrege Le père Congar, Paris, Centurion, 1975, pag.220).

Quem é o padre Courtney-Murray?
O padre John Courtney-Murray, jesuíta Americano (1904-1967), havia sido condenado em 1955 pelo Santo Ofício, por causa do seu estudo The Problem of Religions Freedom (O Problema da Liberdade Religiosa). Foi, no entanto convidado, como perito, ao Concílio Vaticano II, apartir de 1963. Durante os debates sobre a liberdade religiosa propunha-se aos bispos que redigissem suas intervenções, e assim ele exerceu uma influencia considerável. No fim de sua vida, tentou demonstrar que o ensinamento da Igreja sobre a contracepção podia evoluir, como havia evoluído o ensinamento sobre a liberdade religiosa.

O que se pode concluir disso tudo?
Que homens tais como Kung, Rahner, Congar, Lubac, Courtney-Murray etc., tenham exercido uma influencia sobre o Concílio não advoga em seu favor, nem a favor de suas reformas. Infelizmente, algumas declarações do Papa João Paulo II também não lhe trazem vantagem. Tal como está, que fez em 1963 (quando era um simples bispo):
“Jamais um Concílio conheceu tamanha preparação, jamais se sondou de maneira de maneira tão ampla a opinião católica. Não somente os bispos, as universidades católicas e os superiores gerais das congregações exprimiram suas opiniões sobre os problemas conciliares; mas também uma grande porcentagem de católicos leigos e mesmo de não católicos. Teólogos tão eminetes quanto Henri de Lubac, Jean Daniélou, Yves Congar, Hans Kung, R.Lombarde, Karl Rahner e outros tiveram um papel extraordinário nesses trabalhos preparatórios.” (Citado por M.Malinski, Mona mi Karol Wojtyla, Paris, Le Centurion, 1980, p.189).

Todos os textos do Vaticano II devem ser rejeitados?
Pode-se dividir os textos do Concílio Vaticano II em três grupos:
1)    Alguns poderiam ser aceitos pois estão conformes à Doutrina Católica, como, por exemplo, o Decreto sobre a Formação dos Padre;
2)    Outros são equívocos, isto é, podem ser compreendidos corretamente, mas também podem ser interpretados em sentido errôneo;
3)    Alguns, em fim, não podem ser compreendidos no sentido ortodoxo; na sua atual formulação, não podem ser aceitos. É o caso da Declaração sobre a Liberdade Religiosa.

Os Textos ambíguos podem ser aceitos se forem – segundo a expressão de Monsenhor Lefebvre – interpretados à Luz da Tradição.
Os textos do terceiro grupo não podem ser aceitos antes de terem sido retificados.

De onde vem o caráter ambíguo de alguns textos do Vaticano II?
Os equívocos introduzidos voluntariamente nos textos conciliares para enganar os padres conservadores. Enchia-se-lhes de ilusões, insistindo sobre o fato de que o texto não queria, no fundo, dizer nada diferente do que a Igreja sempre havia ensinado. Mas, na sequencia, foi possível apoiar-se sobre estas passagens para defender teses heterodoxas.

Há provas de que essas ambiguidades foram introduzidas voluntariamente?
Karl Rahner e Herbert Vorgrimler confirmam isso quando escrevem, por exemplo, que se “deixou aberto um certo numero de questões teológicas importantes, sobre as quais não se chegaria a acordo, escolhendo-se formulações que poderiam no Concílio ser interpretadas diferentemente por grupos e tendências teológicas particulares.” (K.Rahner e H.Vorgrimler, Kleines Konzilskompendium. Samtliche Texte dês Zweten Vatikanumes, Fribourg, Herder, 1986, pag.21)

Como se podia se justificar uma tal imprecisão nos textos conciliares?
Essa ambiguidade deliberada era explicada pelo fato de o Concílio Vaticano II querer ser apenas um Concílio “Pastoral”, por isso não seria mais necessário que se exprimisse com toda a clareza teológica requerida para um Concílio dogmático.

Pode-se se citar exemplos dessas ambiguidades calculadas?
Um exemplo dessa ambiguidade é dado pela famosa expressão “subsistit in”, introduzida na Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja (I,8). Declarou-se ali que a Igreja de Cristo “subsiste na” Igreja Católica.

Qual é o ensinamento tradicional sobre esse assunto?
O ensinamento tradicional, diz, expressamente, que a Igreja de Cristo é a Igreja Católica. Essa palavra “est” se acha ainda nos primeiros projetos dessa Constituição sobre a Igreja. A palavra foi, em seguida, substituída pela expressão “subsistit in”.  É evidente que essa mudança não foi feita sem motivo.

Por que a palavra “est” é aqui tão importante?
A Igreja Católica não é somente uma certa realização da Igreja de Cristo: Ela é a Igreja de Cristo. Isso significa que há uma identidade absoluta entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica. As outras comunidades eclesiais não pertencem de modo nenhum à Igreja de Cristo. Ora, a expressão “subsistit in” introduz uma ambiguidade justamente nesse ponto.

A Congregação para a Doutrina da Fé não deu a interpretação correta desse “subsistit in” nos seus documentos de 2000 (Dominus Jesus) e de julho de 2007?
A Congregação para a Doutrina da Fé rejeitou a interpretação modernista mais extremista da expressão: aquela segundo a qual a Igreja Católica seria apenas uma realização, dentre outras, da Igreja de Cristo. A formula “subsistit in” permite com efeito, sustentar que haveria, fora da Igreja Católica, “verdadeiras realidades eclesiais”.

Sabe-se quem está na origem dessa expressão”subsisitit in”?
O pastor protestante Wilhelm Schmidt reivindicou a paternidade dessa nova expressão. Eis seu testemunho:
Era, então, pastor da igreja da Santa Cruz, em Bremen-Horn, e durante a terceira e quarta sessões, observador no Concílio, como representante da Fraternidade Evangélica Michael, a convite do Bea. Propus, por escrito, a formulação “subsistit in” àquele que era, então, o conselheiro teológico do Cardeal Frings: Joseph Ratzinger, que a transmitiu ao Cardeal.” (Pastor Wilhelm Schimidt [não confundir etnólogo homônimo], carta de 3 de abril de 2000 ao autor deste Catecismo. O Pastor Schimidt diz em sua carta: ‘Nada tenho a objetar à publicação desta informação.’”

O Vaticano II não foi infalível enquanto órgão do Magistério Ordinário?
Alguns pretendem que mesmo que o Vaticano II não tenha produzido atos de Magistério Ordinário, a infalibilidade pertencer-lhe-ia enquanto órgão do Magistério Ordinário Universal, por que quase todos os bispos do mundo nele se fizeram presentes. Alem disso – dizem – o ecumenismo e a liberdade religiosa são ensinado hoje pelos bispos do mundo inteiro, o que equivaleria ao exercício do Magistério Ordinário Universal, que é infalível.
Porém essa argumentação está viciada. O Vaticano II, Concílio “Pastoral”, recusou-se a comprometer sua autoridade para definir o que quer que fosse; não impôs a liberdade religiosa e o ecumenismo como Verdades de Fé, por isso encapando ao Magistério Extraordinário. Mas, de uma cajadada só, escapou também do Magistério Ordinário Infalível. Pois não pode haver infalibilidade se os bispos não certificam, com autoridade, que o ensinamento que dispensam pertencem ao Depósito de Fé (ou é-lhe necessariamente ligado) e que deve ser dito como imutável e obrigatório.

Alguns ensinamentos do Vaticano II não são apresentados como “fundados na Revelação”, “conformes à Revelação”, “transmitidos pela Igreja” ou “decretados no Espírito Santo”?
Essas são formas piedosas mas muito insuficientes para assegurar a infalibilidade. Seria preciso impor, com autoridade, esse ensinamento como ligado necessariamente à Revelação Divina, imutável, obrigatório. Ora, a liberdade religiosa e o ecumenismo são novidades contrárias ao ensinamento anterior ao da Igreja. De fato, os bispos não os impõe de forma firme e precisa como Verdades Imutáveis. Não comprometeram formalmente, para os propungnar, sua autoridade de guardiães do Depósito revelado aos Apóstolos; porém as propuseram de modo liberal (“pastora”) como fruto de um diálogo com o mundo modernos e como reflexo do que criam os cristãos de hoje. Isso basta para excluir a infalibilidade. (Ver sobre esse assunto os argumentos desenvolvidos pelo padre Calderon em A Candeia Debaixo do Alqueire, Rio de Janeiro, Ed. Sétimo Selo, 2009).

Não se pode, pois, invocar o Magistério Ordinário Universal , no que concerne ao ecumenismo e à  liberdade religiosa?
Não se pode invocar o Magistério Ordinário Universal em favor do ecumenismo e da liberdade religiosa; porém, se poderia, a bom direito, afirmar que são as condenações trazidas no curso dos dois últimos séculos contra a liberdade religiosa e o ecumenismo que são infalíveis em razão do Magistério Ordinário.

As autoridades atuais da Igreja reconhecem a não infalibilidade do Vaticano II?
O Vaticano II não foi infalível, foi o que afirmou expressamente o Cardeal Ratzinger em 1988, dizendo:
“A verdade é que o Concílio ele mesmo, não definiu nenhum dogma e procurou se situar num nível mais modesto, simplesmente como um Concílio pastoral. Apesar disso, numerosos são aqueles que o interpretam como se se tratasse de um ‘superdogma’ que sozinho tem a importância.” (Alocução do Cardeal Ratzinger diante da Conferencia Episcopal Chilena, em 13 de julho de 1988 [Intinéraites 330, fevereiro, 1989, pag.4).

Por que as autoridades atuais se apegam tanto ao Vaticano II, já que reconhecem que ele não é infalível?
De fato, o Vaticano II é, desde a origem, objeto de um jogo desonesto. Durante o Concílio, insistiu-se sobre seu caráter pastoral para evitar se exprimir com precisão teológica; mas, depois, deseja-se lhe dar uma autoridade igual ou mesmo superior àquela dos Concílios anteriores. Esse jogo desonesto foi denunciado por um dos participantes do Concílio, Monsenhor Lefebvre, a partir de 1976:
“É indispensável desmitificar esse Concílio que eles desejam pastoral em razão de seu horror instintivo ao dogma, e para facilitar a introdução oficial das ideias liberais dentro de um texto da Igreja. Contudo, operação terminada, dogmatizam o Concílio, comparam-no ao de Nicéia, pretendem-no semelhante aos outros, senão superior!” (Mons. Marcel Lefebvre, J’acuse Le Concile!, Matigny (Suiça), Editions Saint-Gabriel, 1976, pag.9)

Fonte: Catecismo da Crise na Igreja. Pe. Matthias Gaudron, FSSPX – Editora Permanência.

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