Nas eleições, em quem votar?

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, do Pró-Vida de Anápolis, ensina o "método PPP" de como escolher o canditado em quem votar nestas eleições.

O Sacerdote no altar deve unir-se a Maria Santíssima no Calvário

Uma meditação acerca da atuação do sacerdote no altar, especialmente durante a consagração e o sacrifício de Cristo na Cruz em união com Maria Dolorosa como a Corredentora do gênero humano.

"O Concílio Vaticano II - Uma história nunca escrita"

O professor Roberto de Mattei responde a algumas perguntas feita pela revista Catolicismo acerca do Concílio Vaticano II e o seu novo livro, que trata do mesmo tema.

Pedofilia: a Santa Sé realmente ignorou as denúncias da ONU?

Relatório da ONU vai além dos direitos das crianças e critica doutrina sobre homossexualidade, casamentos entre pessoas do mesmo sexo e contracepção

Sacerdote francês converte região de maioria muçulmana

Com uma conduta de verdadeiro "Alter Christus", este sacerdote converte uma região francesa onde a maior parte da população era muçulmana.

Meditações sobre a gravidade do Pecado e do Inferno

O Inferno é uma realidade, um dogma da Igreja. Não podemos nos escusar de nossas dívidas para com Deus apenas evitando acreditar na existência do Inferno. "Não é católico quem não acredita no Inferno"

Conheça e divulgue a devoção da Medalha Milagrosa de Nossa Senhora!

A Virgem Santíssima prometeu várias graças a quem utilizar com devoção Sua Medalha Milagrosa. Divulgue-a!.

Publicações dos Leitores do Blog

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domingo, 21 de setembro de 2014

A modéstia no falar


Excelente compilação de textos tirado do blog osegredodorosario.blogspot.com/

Conversas obscenas (Fr. Frutuoso Hockenmaier, O.F.M)
Da prática da caridade nas palavras (Sto. Afonso Maria de Ligório)
Do silêncio (Sto. Afonso Maria de Ligório)
A língua - órgão da palavra (Cônego Augusto Saudreau)
As excelências da mortificação (Sto. Afonso Maria de Ligório), segue um trecho que bem se aplica ao tema proposto:

2. Mortificação do ouvido
"Evita ouvir conversas inconvenientes ou difamações, e mesmo conversas mundanas sem necessidade, pois estas enchem nossa cabeça com uma multidão de pensamentos e imaginações que nos distraem e perturbam mais tarde nas nossas orações e exercícios de piedade. Se assistires a conversas inúteis, procura quanto possível dar-lhes outra direção, propondo, por exemplo, uma importante questão. Se isso não der resultado, procura retirar-te ou, ao menos, cala-te e baixa os olhos para mostrar que não achas gosto em tais conversas." Grifos meus
O valor do silêncio (Padre Manuel Bernardes), segue um trecho que bem se aplica ao tema proposto:
"Primeiramente, a matéria das nossas palavras há de ser planaonde não ache tropeços a consciência, e limpa, onde não haja sombras e manchas contra a pureza do coração. Ó grande engano o nosso! Nós não queremos falar coisas boas, e queremos falar bem?" Grifos meus
"Se lhe apresentassem na sua mesa o pão ou qualquer outro manjar, em um prato ou vaso que houvesse servido em coisas que não são para nomear, quanto se indignaria contra o seu criado, por esta grosseria e desatenção. E quem duvida que muito mais repreensível é que a língua de um fiel, que serve de patena ao verdadeiro corpo de Cristo quando comunga, sirva de instrumento a palavras torpes e indecentes? (II – 530)

Quem usa de semelhante linguagem, por mais que se desculpe, dizendo que lhe não entra da boca para dentro, e que é só para rir e passar o tempo, dá claro indício de que o seu interior está corrupto. Porque oráculo é de Cristo Senhor nosso que a boca fala conforme o de que abunda o coração: Ex abundantia enim cordis os loquitur; e outra vez disse: Que do coração saem os maus pensamentos; e claro é que o que vem a língua primeiro esteve no pensamento; e ainda Sêneca assentou que o modo com que cada um fala é o translado ou cópia do seu espírito: Imago mentis sermo est; qualis vir, talis oratio... Logo, quem é acostumado a falar descomposturas, com que verdade afirma que lhe não entram no coração? E se até os sonhos de um adormecido e os delírios de um frenético são ordinariamente das coisas a que a natureza estava acostumada, quanto mais se conhecerá o nosso interior pelas palavras que proferimos, estando em nosso siso e liberdade? (II 530/531)

Escreve Estrabão que há na Índia um gênero de serpentes com asas como de pergaminho, que, voando de noite, sacodem uns pingos de suor tão pestífero que onde caem causam corrupção. Tais me parecem os que entre conversação soltam palavras e chistes descompostos; que são estes senão pingos de suor asquerosíssimo, que onde caem geram maus pensamentos e corrompem os costumes dos ouvintes? E se estes são gentes de tenra idade, a corrupção é mais pronta e mais certa, porque meninos são tábuas rasas onde o bem e o mal se pintam facilmente; pelo que mais respeito se deve ter a um menino, para não falar ruins palavras em sua presença, do que a homens de cãs veneráveis, porque estes sabem conhecer e reprovar o mal e aqueles não; neste caso ficará quem falou mal temeroso de achar repreensão, naquele outro ficará contente de achar imitadores. (Tratado da Virtude da castidade – Padre Manuel Bernardes - II – 532.) Grifos meus
A caridade proíbe a maledicência (Padre J.Baeteman), segue boa frase contida no texto:
"Pensai nisso, escrevia o P. Lacordaire: toda palavra tem seu livro, e tudo o que na terra não se escreve pela mão dos homens, é escrito no céu pela mão dos anjos. Cada dia, a cada instante, o inexorável buril da justiça divina recolhe o hálito dos vossos lábios, e grava-o, para vossa glória ou para vossa vergonha, nas tábuas da imortalidade." Grifos meus.
A modéstia nas conversas e nos recreios (Padre F. Maucourant)No prefácio deste livro encontra-se a seguinte observação: "Este livro foi composto, especialmente, para as almas religiosas. Parece-nos todavia, que ele pode ser lido e meditado, com proveito, por toda a alma desejosa de viver em toda a delicadeza, seja qual for a vocação que a Providência lhe tenha feito sentir".) Segue algumas frases e trechos bem edificantes tiradas do texto:
"A modéstia põe, em toda a pessoa das virgens, uma graça moderada, e, na sua vida, hábitos pacíficos; ela regula as suas palavras e até o tom da sua voz" (Santo Ambrósio).

"A modéstia é uma virtude que dá as leis de uma boa conversação" (Hugues card.)

"As vossas palavras sejam como maçãs de ouro em vasos de prata" (Prov., XXV, 11)

A segunda qualidade das conversações das virgens é a piedade. Santo Inácio, mártir, no meio dos seus suplícios, repetia sem cessar o nome de Jesus, e, quando morreu, encontraram este nome bendito gravado no seu coração. Assim, cada um fala voluntariamente daquilo que mais ama: "tal é o coração, tais são as palavras" (São João Crisóstomo). Um modelo acabado de verdadeiro religioso, "Santo Inácio de Loiola, parecia só saber falar de Deus, de tal modo que o tinham cognominado de 'o padre que não tem na boca senão a Deus'" (Santo Afonso Maria de Ligório). Grifos meus.
O Padre e o bom exemplo (Padre. A.A. Moraes Junior), segue um trecho que bem se aplica ao tema proposto:
"Sejamos circunspectos antes de falar, e não profiramos uma só palavra sem primeiro a ter pesado, conforme este belo dito de Santo Agostinho: "omnia verba prius veniant ad limam quam ad linguam;" o que não acontece com os que, falando sempre precipitadamente, começam de atirar suas ascumas, em vez de chorar o mal irreparável que elas causam. É a necessidade que sente o padre santo, em si mesmo, de dar bom exemplo a todo o mundo por suas conversas, que o leva a regular de tal modo sua língua, que não deixa nunca escapar voluntariamente um só palavra que ofenda o decoro ou uma qualquer virtude, impondo-se pelo cortejo de virtudes, que o acompanha sempre por toda a parte, onde se encontra!" Grifos meus.
As conversações (Pe. Hoornaert), segue abaixo o texto inteiro [baixar esse livro AQUI]:
As conversações


"Oh, língua bendita..."
Em 1263, quando seu corpo foi exumado,
sua língua estava intacta e continua intacta até hoje,
numa redoma de vidro,
 na Basílica de Santo Antônio, em Pádua,
onde estão seus restos mortais.

As conversações! o escolho clássico das reuniões da juventude!

Sê inabalável.
Não te importes.
Não escutes.

1º - Não te importes

Um livro, que ninguém taxará de hipócrita, "Safo", diz: a imoralidade "propaga-se, queimando o corpo e a alma, à maneira dos archotes, de que fala o poeta latino, que corriam de mão em mão pelo estádio".

Pensa que com ela correm risco muitas almas: a tua e a daquele ou as daqueles com quem falas. Com tais conversas pecas e és causa de outros pecarem. A culpa pessoal já é coisa deplorável! Mas a culpa com outro!... Quem sabe? Será para ele, quiçá, o primeiro anel duma cadeia que, afinal, o vem prender ao inferno.

Há de ser peso insuportável à consciência, no leito de morte, lembrar-se ter sido causa de tentação ou talvez de perdição de uma alma. "Ai daqueles que der escândalo", dizia o divino Mestre. Um homem fica inconsolável, por haver durante uma caçada ferido de morte um seu amigo. Aquele, que pelas suas palavras, concorre para a perdição de um companheiro, não mata inadvertida mas conscientemente.

Não é já um homicídio por imprudência mas por perversidade.

"Que as palavras desonestas sejam banidas da vossa boca". (Col. 3-8)

"Que nem mesmo se ouça dizer que há entre vós, fornicação, impureza de qualquer sorte, nem concupiscência... Nada de palavras nem de galanteios nem de gracejos grosseiros: todas coisas que são indecorosas... Porque, tende-o bem presente: nenhum impudico, nenhum desonesto... terá parte no reino de Cristo e de Deus. Que  ninguém vos iluda com enganosas palavras, pois é por tais vícios que a cólera de Deus vem sobre os filhos da incredulidade. Não tenhais relações de espécie alguma com eles". (Ef. 5-3)

2º - Não lhes prestes ouvidos

Mas aqui aparecem as tais objeções:

- "Para este gênero de conversações, a consciência já está formada".
Formada ou deformada?

- "Não podemos contudo trazer sempre algodão nos ouvidos".
Evidentemente, não: ouvistes por ventura que os pregadores ordenassem trazer algodão nos ouvidos? Mas podes pelo menos não provocar essas conversações picantes, nem entretê-las com perguntas curiosas,etc...

- "Com certeza, hão de taxar-me de carola".
E Deus há de chamar-te corajoso. Mas vale este tão soberano juízo.

- "Chamar-me-ão capuchinho, o que incomoda; ou pior ainda: jesuíta".
E tu lhes responderás: Tenho muita honra nisso! Prefiro lograr tão boa companhia, no Céu.

- "Que pensarão de mim"?
Hão de te admirar.

Apelo para ti mesmo. Na intimidade, os moços conhecem-se muito bem mutuamente. Pois bem: quais são os colegas verdadeiramente estimados, aqueles a quem tu, em ocasião crítica, sendo preciso, irás pedir um conselho sério?! Aqueles a quem todos verdadeiramente respeitam? Quais são eles? Serão acaso os covardes, que escondem a sua bandeira, no bolso (e neste caso já não é uma bandeira mas um lenço de assoar), ou aqueles que se dizem e são católicos?

Os que o são à valer e "descaradamente" como diria L.Veuillot, mas que por outra parte não têm esse pudor assustadiço, que imaginam, serem tudo gracejos traiçoeiros; que confundem conversas grosseiras com as conversas más, sem saber adotar um gênero de conversação alegre e sã.

Os jovens detestam um trato arisco e pesado que dá ocasião a tornar-se a virtude objeto de zombaria. Procura, pois, pelo contrário (este ponto é muito importante) tornar a religião simpática, mediante o apostolado da alegria. Um jovem educado não só pode ser alegre, mas para sê-lo terá cem razões mais que os outros. A única nostalgia permitida a um cristão é a do Céu.

Não conheço textos na Sagrada Escritura que nos recomendem a melancolia; são muitos, porém, os que nos recomendam a amabilidade e a alegria.

"Regozijai-vos no Senhor, sem cessar: regozijai-vos em alegria". (II Cor. 13-11).

"Andai sempre alegres". (I Tes. 5-16)

"Vosso coração se alegrará e ninguém arrebatará a vossa alegria... Que a vossa alegria seja perfeita". (Jo. 16-22)

"Bem-aventurados os puros" (Ps. 118)

Por um motivo parecido é que as donzelas cristãs devem trajar com bom gosto. A modéstia não as condena ao espetáculo esquisito de modas antiquadas ou rústicas. Não seja pois a religião, para o jovem, sinônimo de enfado, nem para a jovem, sinônimo de fealdade. Ele deve rir, ela deve trajar-se bem.

-"Mas hão de perseguir-me".
Sim se ficardes sozinho, sem formar com outros amigos um grupo decente contra o grupo sujo. Sim, se tomardes atitude de santo gótico, de que acima falamos. Não, se conservares a devida naturalidade, se fores divertido (porque não?) e bom companheiro.

Ouve: dezenas de acadêmicos me afirmaram: "Basta ter coragem nos dez primeiros dias. Observam-nos. Se os dez primeiros dias nos fazemos respeitar, não mais nos inquietam e, por vezes, nos confessam: Muito bem. Isso é que é ter caráter! Se, pelo contrário, cederdes, acabou-se! Começais por uma fraqueza, por uma complacência que, aliás, só vos granjeou desprezo! E então já vos será muito difícil a reabilitação e fazer recuar amachina".

Não tenhais medo!... "Os maus dizia Mons. Darboy, bispo e mártir, só são valentes porque os bons são covardes". Sim, covardes!

Quanto mais se estudam os jovens, mais claramente se nota que os moços dos colégios cristãos se deixam arrastar pelos maus, sobretudo por causa do respeito humano. O respeito humano é que os leva a gabarem-se, às vezes, de certas "aventuras felizes", quando realmente elas não passam de umas criancices bem arquitetadas e que a sua famosa "garçoniére" não passa de um bairro onde se refugiam, para cautelosamente se furtarem a olhares perscrutadores.

Felizmente o viver destes jovens vale muito mais daquilo que dizem de si mesmo. São fanfarrões do vício unicamente por se envergonharem de parecer virtuosos, mas não compreendem - pobres infelizes - que, até quanto a granjearem a estima, que tanto ambicionam, tudo teriam a ganhar, se se mostrassem lógicos, quanto às suas convicções.

Santamente orgulhosos se deveriam antes mostrar por serem batizados, confirmados e participarem do augusto Sacramento do Altar, na Sagrada Comunhão! Um rei possui um único diadema. Um cristão tem tantos quantos forem os Sacramentos recebidos...

Para levar os homens ao que é nobre, generoso e heróico, requerem-se idéias nobres, coração magnânimo, linguagem ardente, e unção penetrante. Para ser alguém corifeu de estroinice ou de corrupção não se precisam esses brilhantes predicados. Basta o cinismo, a grosseria uma boca exercitada a vomitar injúrias, sarcasmos, e isto com muita naturalidade, sem cólera, sem esforços, eis tudo.

Com tão rico cabedal já podem contar com a popularidade e também com as covardias secretas e as baixas e lúbricas cumplicidades do vulgo...

Pavoroso escolho das conversações juvenis são, realmente, essas fanfarronadas de impureza! Por toda parte continua produzindo os mesmos deletérios frutos: o rebaixamento das almas, a morte do ideal, o aniquilamento do pudor. Contra este mal, insurgem e lutam os piedosos educadores pela vigilância, pelas salutares diversões de exercícios musculares e sobretudo pela religião, cujo freio possante e nobre, sofreia os corações ardentes e fecha os lábios às palavras dissolutas. É mesmo assim, não chegam nem podem impedir todos os males. Oferecem, todavia, a todos, até mesmo aos caracteres pusilânimes e fracos, a possibilidade de se libertarem do mal, se tiverem alguma boa vontade...(Livro A Grande Guerra) Grifos meus.

As nossas conversas (São Francisco de Sales), segue trechos do texto:
"A boca do justo, diz a Escritura, meditará sabedoria e a sua língua falará prudência."

"Fala, pois, muitas vezes de Deus e experimentarás o que se diz de S. Francisco -- que, quando pronunciava o nome do Senhor, sentia a alma inundada de consolações tão abundantes que até sua língua e seus lábios se enchiam de doçura."




CAPÍTULO XXVII
Honestidade das palavras e respeito que se deve ao próximo

Se alguém não peca por palavras, é um homem perfeito, diz S. Tiago.

Tem todo o cuidado em não deixar sair de seus lábios alguma palavra desonesta, porque, embora não proceda duma má intenção, os que a escutam a podem interpretar de outra forma. Uma palavra desonesta que penetra num coração frágil estende-se como uma gota de azeite e às vezes toma posse de tal modo dele que o enche de mil pensamentos e tentações sensuais.

É ela um veneno do coração, que entra pelo ouvido; e a língua que serve de instrumento a esse fim é culpada de todo o mal que o coração pode vir a sofrer, porque, ainda que neste se achem disposições tão boas que frustrem os efeitos do veneno, a língua desonesta, quanto dela dependia, procurou levar esta alma à perdição. Nem se diga que não seu prestou atenção, porque Nosso Senhor disse que a boca fala da abundância do coração. E, mesmo que não se pensasse nada de mal, o espírito maligno o pensa e por meio dessas palavras suscita o sentimento mau nos corações das pessoas que as ouvem.

Diz-se que quem comeu a raiz denominada angélica fica um hálito doce e agradável e os que possuem no coração o amor à castidade, que torna os homens em anjos na terra, só têm palavras castas e respeitosas. Quanto às coisas indecentes e desonestas, o apóstolo nem quer que se nomeiem nas conversas, afirmando que nada corrompe tanto os bons costumes como as más conversas.

Se se fala dissimuladamente e em torneios sutis e artificiosos de coisas desonestas, o veneno encerrado nessas palavras é ainda mais sutil, danoso e penetrante, assemelhando-se aos dardos, que são tanto mais para temer quanto mais finos são e mais agudas têm as pontas. Quem quer granjear deste modo o nome e a estima de homem espirituoso ignora completamente o fim da conversa; a conversa deve parecer-se com o trabalho comum de um enxame de abelhas para fazer um mel precioso, e o modo de agir dessas pessoas pode-se comparar a um montão de vespas em torno duma podridão.

Assim, se um louco te disser palavras indecentes, testemunha-lhe logo a tua indignação, voltando-te para falar com uma outra pessoa ou de algum outro modo que te sugerir a prudência.

Muito má qualidade é ter um espírito motejador. Deus odeia extremamente este vício e puniu-o, como se lê no Antigo Testamento, com muita severidade. Nada é mais contrário à caridade e máxime à devoção que o desprezo do próximo; mas a irrisão e mofa trazem forçosamente consigo este desprezo; e´, pois, um pecado muito grave e dizem os moralistas que, entre todos os modos de ofender o próximo por palavras, este é o pior, porque tem sempre unido o presprezo, ao passo que nos outros a estima ainda pode subsistir.

Mas, quanto a esses jogos de palavras espirituosas com que pessoas honestas costumam divertir-se, com uma certa animação, sem pecar contra a caridade ou a modéstia, são até uma virtude, que os gregos chamam eutrapelia ou arte de sustentar uma conversa agradável; servem-se para recrear o espírito das ocasiões insignificantes que as imperfeições humanas gerais fornecem ao divertimento.

Somente deve-se tomar o cuidado que essa alegria inocente não se vá tornando em mofa, porque esta provoca a rir-se do próximo por desprezo, ao passo que esses gracejos delicados só fazem rir por prazer e pelo espírito de certas palavras, ditas por liberdade, confiança e familiaridade, com toda a franqueza, e recebidas de boa mente, tendo-se completa certeza que ninugém as levará a mal.

Quando os religiosos da corte de S. Luís queriam entabular uma conversa séria e elevada depois do jantar, dizia-lhes o santo rei: Agora não é tempo de arrazoar muito, mas de divertir-se com uma conversação animada; diga, pois, cada um, livre e honestamente, o que lhe vem ao pensamento. Queria com isso dar um prazer à nobreza de que se rodeava, condescendendo nestas provas familiares da bondade de sua real majestade.

Enfim, Filotéia, passemos o pouco tempo que nos é dado para uma conversa recreativa e agradável, de modo que a devoção aí praticada nos assegure uma eternidade feliz.

(Filotéia - Parte III - São Francisco de Sales) Grifos meus.

Bom uso da língua (Pe. Matias de Bremscheid), segue trechos do texto:


"Ouvi, filhos, as regras que vos dou sobre a moderação da língua:
 aquele que as guardar não perecerá pelos lábios,
 nem cairá em ações criminosas"
(Ecli., 23,7)

- Livro do Eclesiástico (cap. 28): "As chicotadas produzem vergões, mas os golpes da língua quebram os ossos... Faze uma porta e fechadura diante da tua boca: Funde o teu ouro e a tua prata e faze com isso uma balança para pesares as tuas palavras e um freio bem ajustado para a tua boca".

- O bom uso da língua pode transformá-la em instrumento de graças.

No ano de 1263 retirou-se o corpo de Santo Antônio de Pádua do sepulcro, a fim de o transportar para a nova igreja, edificada em sua honra. Ao se abrir o sarcófago, os membros caíram aos pedaços, a carne já se havia transformado em pó e cinza. Mas, o queixo, os cabelos e os dentes estavam ainda conservados, e sobretudo a língua de todo incorrupta e com a sua cor naturalSanto Cardeal Boaventura, que de Roma fora a Pádua por ocasião dessa festividade, tomou em suas mãos com grande respeito esse língua, beijou-a e disse entusiasmado: "Ó língua, que em todo o tempo louvaste ao Senhor e ensinaste os demais a louvá-Lo, agora se torna a todos manifesto, quanto és apreciada de Deus".

Deves calar-te e não falar de coisas impuras e ignóbeis. Sabes o que diz o Apóstolo: "Nem sequer se nomeie entre vós ... qualquer impureza ... como convém a santos" (Ef., 5,3).

- Como este Apóstolo não seria tomado de santa indignação, se em nossos dias surgisse de improviso numa reunião de moços e ali ouvisse as conversas tais que fazem subir o rubor à faces! Até mesmo na presença de crianças inocentes, se proferem, às vezes, palavras obscenasNão deveriam tais libertino sentir pavor daquela terrível "Ai!" que o Divino Salvador pronunciou contra os que escandalizam os pequenos?

"Ouvi, filhos, as regras que vos dou sobre a moderação da língua: aquele que as guardar não perecerá pelos lábios, nem cairá em ações criminosas" (Ecli., 23,7) Grifos meus.

Fonte:

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Embaixador diz que Estado Islâmico quer matar o Papa Francisco


O papa Francisco tem sofrido ameaças e estaria entre os próximos alvos do Estado Islâmico (EI). Quem fez tais afirmações foi Habbed Al Sadr, embaixador do Iraque junto à Santa Fé.

"O autoproclamado Estado Islâmico foi claro: eles querem matar o Papa. As ameaças são reais. Quero deixar claro que não tenho nenhum conhecimento sobre os futuros planos dos terroristas. Mas a regra do Estado Islâmico é clara: ou a pessoa se converte à religião deles ou morre. Com o Papa, a morte seria a única opção que eles dariam", afirmou o iraquiano ao italiano La Nazione.

Essa não é a primeira ameaça do EI ao Ocidente nesta semana. Segundo fontes próximas à organização, a Casa Branca estaria entre os próximos alvos do grupo.

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, respondeu com ceticismo à afirmação, afirmando que seu país "não teme o Estado Islâmico e nem o enxerga como uma ameaça real".

Fonte: Yahoo
Visto no http://andersonribeiro18.blogspot.com/

A modéstia nos olhos



Quase todas as paixões que se revoltam contra nosso espírito têm sua origem na liberdade desenfreada dos olhos, pois os olhares livres são os que despertam em nós, de ordinário, as inclinações desregradas. “Fiz um contrato com meus olhos de não cogitar sequer em uma virgem”, diz Jó (Job 31, 1). Mas, por que diz ele de não pensar sequer em uma virgem? Não parece que deveria dizer: Fiz um contrato com meus olhos de não olhar sequer? Não, ele tem toda a razão de falar assim, porque o pensamento está intimamente ligado ao olhar, não se podendo separar um do outro, e, para não ter maus pensamentos, propôs-se esse santo homem nunca olhar para uma virgem.

Santo Agostinho diz: “Do olhar nasce o pensamento, e do pensamento a concupiscência”. Se Eva não tivesse olhado para o fruto proibido, não teria pecado; ela, porém, achou gosto em contemplá-lo, parecendo-lhe bom e belo; apanhou-o então, e fez-se culpada da desobediência.

Aqui vemos como o demônio nos tenta primeiramente a olhar, depois a desejar e, finalmente, a consentir. Por isso nos assegura São Jerônimo que o demônio só necessita de nosso começo: dá-se por satisfeito se lhe abrimos a metade da porta, pois ele saberá conquistar a outra metade. Um olhar voluntário, lançado a uma pessoa do outro sexo, acende uma faísca infernal que precipita a alma na perdição. “As primeiras setas que ferem as almas castas, diz São Bernardo (De mod. ben. viv., serm. 23), e não raro as matam, entram pelos olhos”. Por causa dos olhos caiu Davi, esse homem segundo o coração de Deus. Por causa dos olhos caiu Salomão, esse instrumento do Espírito Santo. Por causa dos olhos, quantas almas não se perderam eternamente?

Vigie, pois, cada um sobre seus olhos, se não quiser chorar uma vez com Jeremias: “Meus olhos me roubaram a vida” (Jer 3, 51); as afeições criminosas que penetraram em meu coração por causa dos meus olhares, lhe deram a morte. São Gregório diz (Mor. 1, 21, c. 2): “Se não reprimires os olhos, tornar-se-ão ganchos do inferno, que a força nos arrastarão e nos obrigarão, por assim dizer, a pecar contra a nossa vontade”. “Quem contempla objeto perigoso, acrescenta o Santo, começa a querer o que antes não queria”. É também o que diz a Sagrada Escritura (Jdt 16, 11), quando diz que a bela Judite escravizou a alma de Holofernes, apenas este a contemplou.

Sêneca diz que a cegueira é mui útil para a conservação da inocência. Seguindo esta máxima, um filósofo pagão arrancou-se os olhos para quardar a castidade, como nos refere Tertuliano. Isso, porém, não é lícito a nós, cristãos; se queremos conservar a castidade, devemos, contudo, fazer-nos cegos por virtude, abstendo-nos de olhar o que possa despertar em nós os maus pensamentos. “Não contemples a beleza alheia; disso origina-se a concupiscência, que queima como o fogo” (Ecli 9, 8). À vista seguem-se as imaginações pecaminosas, que acendem o fogo impuro.

São Francisco de Sales dizia: “Quem não quiser que o inimigo penetre na fortaleza, deve conservar as portas fechadas”. Por essa razão foram os Santos tão cautelosos em seus olhares. Por temor de enxergarem inesperadamente qualquer objeto perigoso, conservavam os olhos quase sempre baixos, e se abstinham de olhar coisas inteiramente inocentes.
São Bernardo, depois de um ano inteiro no noviciado, não sabia ainda se o teto de sua cela era plano ou abobadado. Na igreja do convento havia três janelas e ele não o sabia, porque conservara os olhos baixos. Evitavam os Santos, com cautela maior ainda, pôr os olhos em pessoa de outro sexo. São Hugo, bispo, nunca olhava para o rosto das mulheres com quem tinha de conversar. Santa Clara nunca olhava para a face de um homem. Aconteceu uma vez que, levantando os olhos para a Hóstia Sagrada, durante a Elevação, viu o rosto do sacerdote, com o que ficou profundamente aflita.

Julgue-se agora quão grande é a imprudência e temeridade dos que, não possuindo a virtude dum desses Santos, ousam passear suas vistas em todas as pessoas, não excetuando as de outro sexo, e querendo ainda ficar livre de tentações e do perigo de pecar. São Gregório diz (Dial. 1.2, c. 2) que as tentações que levaram São Bento a revolver-se sobre espinhos, provieram de um olhar imprudente sobre uma senhora. São Jerônimo, achando-se na gruta de Belém, onde continuamente orava e macerava seu corpo com as mais atrozes penitências, foi por longo tempo atormentado pela lembrança das damas que vira tempos antes em Roma. Como, pois, poderemos ficar preservados de tentações, quando nos expomos ao perigo, olhando e até fitando complacentemente pessoas de outro sexo?

O que nos prejudica não é tanto o olhar casual como o premeditado, o mirar. Razão porque Santo Agostinho diz (Reg. ad Serv. Dei, n. 6): “Se vossos olhos casualmente caírem sobre uma pessoa, cuja vista vos pode ser prejudicial, guardai-vos, ao menos, de fitá-la”. E São Gregório diz: “Não é lícito contemplar ou extasiar-se com a vista daquilo que não é lícito desejar, pois, ainda que expulsemos os maus pensamentos que costumam seguir o olhar voluntário, deixam sempre uma mancha na alma”. Tendo-se perguntado ao irmão Rogério, franciscano, dotado de uma pureza angélica, por que se mostrava tão reservado em seus olhares, quando trata va com mulheres, respondeu: “Se o homem foge à ocasião, Deus o protege; se se expõe a ela, Nosso Senhor o abandona e facilmente cairá no pecado”.

Suposto mesmo que a liberdade que se concede aos olhos não produzisse outros males, impediria sempre o recolhimento da alma durante a oração; pois tudo o que vimos e nos impressionou, apresenta-se aos olhos de nossa alma e nos causa uma imensidade de distrações. Quem já tem recolhimento de espírito durante a oração, tome muito cuidado para não se ver privado dessa graça dando liberdade a seus olhos.

Está fora de dúvida que um cristão que vive sem recolhimento de espírito não pode praticar as virtudes cristãs da humildade, da paciência, da mortificação, como deveria. Guardemo-nos, por isso, de olhares curiosos, e só olhemos para objetos que elevam para Deus o nosso espírito. “Olhos baixos elevam o coração para o Céu”, dizia São Bernardo. São Gregório Nazianzeno (Ep. ad Diocl.) escreve: “Onde habita Cristo com Seu amor, reina aí a modéstia”. Com isso não quero, porém, dizer que nunca se deva levantar os olhos ou considerar coisa alguma; pelo contrário, é até bom, às vezes, olhar coisas que elevam nosso coração para Deus, como santas imagens, prados floridos, etc, já que a beleza dessa criatura nos atrai à contemplação do Criador.

Deve-se notar também que a modéstia dos olhos é necessária não só para nosso próprio bem, como para a edificação do próximo. Só Deus vê o nosso coração; os homens vêem apenas nossas obras externas e, ou se edificam, ou se escandalizam com elas. “Pelo rosto se conhece o homem”, diz a Escritura (Ecli 19, 26), isto é, pelo exterior se depreende o que é o homem interiormente. Todo cristão, por isso, deve ser o que era São João Batista, conforme as palavras do Salvador (Jo 5, 35): “Uma lâmpada que arde e ilumina”. Interiormente deve arder em amor divino; exteriormente, alumiar, pela modéstia, a todos os que o vêem. Também a nós se podem aplicar as palavras que São Paulo dirigiu a seus discípulos (I Cor 4, 9): “Somos o espetáculo dos anjos e dos homens”. “A vossa modéstia seja conhecida de todos os homens” (Filip 4, 5).

Pessoas devotas são observadas pelos anjos e pelos homens, e, por isso, sua modéstia deve ser notória a todos, do contrário, deverão dar rigorosas contas a Deus no dia do Juízo. Observando a modéstia, edificamos sumamente os outros e os estimulamos à prática da virtude.

É celebre o que se conta de São Francisco de Assis: Uma vez deixou ele o convento junto a uma companheiro, dizendo que ia pregar; tendo dado uma volta pela cidade com os olhos baixos, entrou novamente no convento. ‘Mas quando farás o sermão?’, perguntou-lhe o companheiro. ‘Já o fiz, respondeu-lhe o Santo, consistiu todo no resguardo dos olhos, do que demos exemplo ao povo’.

Santo Ambrósio diz que a modéstia das pessoas virtuosas é uma exortação mui poderosa ao coração dos mundanos. “Quão belo não seria se bastasse te apresentares em público para fazeres bem aos outros!” (In ps. 118, s. 10). De São Bernardino de Sena se conta que, mesmo antes de entrar para o convento, bastava só a sua presença para pôr fim às conversas livres de seus companheiros; mal o avistavam, diziam uns para os outros: Silêncio, Bernardino vem vindo; e então calavam-se ou começavam a falar de outras coisas. Santo Efrém, segundo o testemunho de São Gregório de Nissa, era tão modesto, que já a sua vista estimulava à devoção, e não se podia vê-lo sem se sentir levado a se tornar melhor. Mais admirável ainda é o que nos refere Suvio, do santo sacerdote e mártir Luciano: só por sua modéstia moveu muitos pagãos a abraçarem a santa Fé. O imperador Mazimiano, que fôra disso informado, temendo sentir a sua influência e ser obrigado a converter-se, citou-o à sua presença, mas não quis vê-lo, e sujeitou-o ao interrogatório ocultando-o a suas vistas por uma cortina estendida entre os dois.

Nosso ideal mais perfeito de modéstia foi, porém, o nosso Divino Salvador mesmo, pois, como nota um célebre autor, os Evangelistas dizem, várias vezes, que o Redentor levantou os olhos em certas ocasiões, dando a entender, com isso, que tinha ordinariamente os olhos baixos. Por isso exalta o Apóstolo a modéstia de seu Divino Mestre, escrevendo a seus discípulos: “Rogo-vos pela mansidão e modéstia de Cristo” (II Cor 10, 1).

Concluo com as palavras de São Basílio a seus monges: “Se quisermos que nossa alma tenha suas vistas sempre postas no Céu, filhos queridos, conservemos nossos olhos sempre voltados para a terra”. De manhã, ao despertar, devemos já pedir, com o Profeta: “Afastai meus olhos, Senhor, para que não vejam a vaidade” (Sl 118, 37).

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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, Escola da Perfeição Cristã, compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, tradução do padre José Lopes, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955.

Fonte: http://osegredodorosario.blogspot.com/

Inculcar nas crianças a modéstia nos trajes – um dever da mãe!


“Guarda-te cuidadosamente das vaidades e afetações, das curiosidades e das modas levianas. Observa as regras da simplicidade e modéstia, que são indubitavelmente o mais precioso ornamento da beleza e a melhor escusa da fealdade.” (São Francisco de Sales)
Nos vestidos há a aparência, a qualidade, a utilidade, a comodidade e a verdadeira estética ou elegância. Deve a dona de casa estudar esses vários pontos de vista e lhes dar o valor competente.
Solidez e duração, facilidade de lavagem e de reforma – eis aí outros critérios a serem ouvidos. Higiene e elegância – note-se essas duas normas toda leitora razoável e prudente. Há ainda, para a cristã sobretudo a moral que deve ser respeitada. A maior inimiga da moral é a moda, quase sempre. A moda, a terrível tirana das mulheres, outra coisa não é do que um reclame luminoso para chamar fregueses e dinheiro às casas do gênero.
Um estofo diferente, um corte novo, uma forma bizarra para o chapéu, uma cor inesperada para o cinto, etc., e está pronto o reclame comercial. E tudo para desassossego das cabeças femininas, desequilíbrio dos bolsos dos maridos…
Como inculcar nas filhas a modéstia nos trajes quando cultivas o nu artístico ao te vestires?
Vestidos das crianças
Importantíssimo capítulo recorda este título. Há muito crime cometido contra o pudor das crianças. Muitas mães exploram “a inocência” dos seus pequenos. (Esta inocência hoje em dia, parece que vai morrendo depressa). Fazem-no com enorme prejuízo e dano sempre. Por mais encanto que sinta a mãezinha ante as carnes macias e rosadas dos filhinhos, não deve, contudo, descuidar da defesa natural da modéstia, que são os vestidos.
… Peito, bracinhos e perninhas estão à mostra, parece, até, que nem sequer fica velado aquilo, que pequena peça do vestuário se esforça por esconder e os descuidos da criança não defendem de vistas dos companheiros, dos grandes. Sem nada desconfiar, seu filhinho ou filhinha, leitora, não estabelece nenhuma diferença moral no uso das várias partes do seu corpinho. Trata-as com a mesma ingênua desenvoltura. Vai-se assim formando o hábito de considerar como irreais as exigências da pureza.
Em crescendo, veremos a criança desfazer-se de certos cuidados e alargar os limites da liberdade. A experiência diária vive mostrando como o costume de viver com pouca roupa acaba por se tornar tão natural.
Não diz tanta moça, se a censuram por causa dos decotes: Mas que mal há nisso? A pobrezinha sempre se viu com pouco vestido, desde que se conhece como gente. Para mudar-lhe a imodéstia, seria necessário reeducá-la.
Compreendo, leitora, certas dificuldades no caso. Os vestidos custam dinheiro, as crianças crescem depressa, tornando imodesto um vestido que ontem era modesto. Dizes que não podes gastar tanto, etc. Mas, se tiveres uma consciência bem prevenida, acharás sempre um jeitinho de atalhar o mal.
Em todo caso capricha para que as leis da Igreja sejam observadas no templo, quando teus filhos vão à comunhão e às cerimônias religiosas. Lembra-te que a precocidade sexual dos pequenos é um fato, nestes dias de tanta infiltração imoral, pelo cinema (TV), pelas conversas e pelas revistas e quadros…
“Os olhos das mães não são feitos como os das outras pessoas. Descobrem à distância e na sombra, podem ler até nos corações… Oxalá a experiência não desmentisse tal afirmação! para que isso não aconteça, é preciso que a vigilância se estenda sobre tudo que possa fazer correr algum perigo às crianças…”
As três chamas do lar – Pe. Geraldo Pires de Souza
Fonte:
Retirado do blog: http://osegredodorosario.blogspot.com/

domingo, 14 de setembro de 2014

A Virgem Santíssima e o despertar divino na alma



Thomas Merton

A Bem-aventurada Virgem Maria foi o mais sábio teólogo. Ela é a Mãe do Verbo que é ao mesmo tempo a teologia de Deus e dos homens. A verdade de Deus entrou tão profundamente em sua vida, que se tornou encarnada em seu seio virginal. Toda a Sabedoria se concentrou em seu Coração Imaculado, sedes Sapientias. Quando o Anjo a visitou na Anunciação, encontrou-a no mais profundo silêncio. Poucas são as palavras recordadas daquela que nos deu o Verbo. E quando ela O deu ao mundo, que poderia fazer ela mesma senão escutá-Lo? "Guardava todas essas palavras conservando-as em seu coração".

E assim Nossa Senhora é o modelo dos contemplativos e o espelho dos místicos. Os que amam a pura Verdade de Deus, instintivamente amam a simplicidade da Imaculada Mãe de Deus. Ela os atrai ao interior do seu silêncio e de sua humildade. Ela é a Virgem da Solidão, que Deus chamou sua eremita:una est columba mea in foraminibus petrae. Ela escondeu-se nas cavernas da pedra, de que nos falava S. João da Cruz, e viveu como um eremita nos sublimes mistérios do seu Filho. Ela viveu todo o tempo no céu, embora andasse sobre a terra, varrendo o assoalho, fazendo cama e cozinhando para os carpinteiros. Que é que acontecia em sua alma inimaginavelmente pura, no espelho sem mancha do seu ser, que Deus fizera para receber a sua perfeita semelhança?

Quando o Anjo falou, Deus acordou no coração dessa moça de Nazaré, e movimentou-se dentro dela como um gigante. Ele mexeu-se e abriu os olhos e viu que ela, ao contê-lo, continha todo o universo também. A anunciação foi tanto uma visão como um terremoto em que Deus moveu o universo e deslocou as esferas, e o princípio e o fim de todas as coisas apareceu aos olhos da Virgem, no mais profundo do coração. E muito abaixo do movimento deste silencioso cataclisma, ela adormeceu na infinita tranquilidade de Deus, e Deus foi uma criança encolhida que dormia em seu seio, enquanto nas suas veias circulava a Sabedoria dessa criança, que é noite, que é luz das estrelas, que é silêncio. E todo o seu ser foi abraçado por Aquele que ela abraçava, e os dois tornaram-se silêncio.

A missão de Nossa Senhora no mundo é formar este seu Cristo, este Gigante, nas almas dos homens, como Ele mesmo se formou na sua. Ela traz-lhes a graça do Cristo, que é a graça da sua presença vivificante. Ele nasce em cada homem pelo batismo, mas nós não o sabemos. Ele cobre a alma com a sua sombra, quando ela O prova na paz da contemplação. Mas isto não basta. No cume da vida mística, Deus deve mexer-se e revela-se, sacode o mundo dentro das almas e surge do seu sono como um gigante.

É isto que nos fala S. João da Cruz na Chama Viva do Amor. É a minha última citação.

"Este despertar é um movimento do próprio Verbo na substância da alma, de tanta grandeza e domínio e glória, e de tão íntima suavidade, que lhe parece que todos os bálsamos e espécies odoríficas e flores do mundo se misturam e agitam, revolvendo-se para dar suavidade, e que todos os reinos e dominação do mundo, e todas as potestades e virtudes do céu se movem. E não só isto, mas também as virtudes e substâncias e perfeições e graças de todas as coisas criadas reluzem e se põem, por sua vez, em movimento uníssono e simultâneo... Donde vem que, movendo-se na alma, este altíssimo Imperador, cujo Reino, como diz Isaías, Ele traz nos seus ombros... então tudo parece mover-se juntamente... Mesmo assim, quando um Palácio é aberto, pode-se ver a um só tempo a eminência da Pessoa que está dentro e o que ela está fazendo... Estando a alma substancialmente em Deus, como toda criatura, Ele tira diante dela alguns dos muitos véus e cortinas que ela tem anteposto, para poder vê-Lo como Ele é, e, assim, se lhe revela, e ela é capaz de ver (embora obscuramente, porque não se tiram todos os véus), esta Face cheia de graça. Como Ele move todas as coisas com a sua virtude, aparece juntamente com Ele aquilo que Ele está fazendo, e Ele parece mover-se nelas e elas n'Ele em movimento contínuo. E é por isto que a alma crê que Deus se moveu e acordou, sendo ela, na realidade, que foi movida e acordada."

Thomas Merton, Sementes de Contemplação

Retirado do blog: http://anjosdeadoracao.blogspot.com/

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